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Vazamentos estranhos

‘Vorcaroduto’ espirra nos poderes, mas ainda não atingiu o regente político

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto Editoria de Artes/IA

Fidedigno ou manipulado, o “vorcaroduto”, vazamento das mensagens particulares ou íntimas trocadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades dos Três Poderes e com a namorada, não pode ser considerado legal por dois motivos óbvios: violou o sigilo das investigações e também a privacidade dos envolvidos. Apesar da obviedade, os conteúdos do celular do dono do Master continuam lotando as redes sociais de interessados em incriminar ministros do STF e familiares do presidente da República.

Não é nada, não é nada, mas os responsáveis pelo vazamento sabiam muito bem a quem queriam e querem atingir. É a estratégia da exposição, do desgaste e da humilhação. Já ouvi patriotas dizendo que ocorreu a mesma coisa com o ex-presidente Jair Messias, hoje apenas o presidiário Bolsonaro, e com os presos do 8 de janeiro de 2023. Segundo eles, a polícia e autoridades prisionais só agem por ordem de alguém. Trata-se da técnica de se defender atacando.

Que perdoem os que exageram no patriotismo, mas sugerir ou imaginar que alguém do governo manda expor, desgastar e humilhar presos como Vorcaro e Bolsonaro é insistir com o pensamento de ameba. Esse tipo de imaginação justifica o amadorismo de fundamentalistas que se dizem mais realistas do que o rei. Qualquer menino do Maternal II não acreditaria na hipótese de Luiz Inácio Lula da Silva ou algum de seus comandados atirar ou mandar atirar no próprio pé. Nada de anormal para os que permanecem apostando no quanto pior, melhor.

Estão enganados aqueles que acham que Lula não tem amplo conhecimento de até onde vai o envolvimento de Lulinha com Vorcaro. Não tenho meios, tampouco informações para assegurar que o filho do presidente da língua presa não tenha o rabo solto, mas duvido que, havendo algum conluio entre eles, a oposição se beneficie politicamente. Repito que, apesar da suposta cara de besta, Lula é muito mais inteligente do que supõe a vã filosofia dos bolsonaristas. Aliás, até agora nada aconteceu com aquele que os patriotas tentam atingir.

Como o próprio Lula pai já adiantou, se, porventura, Lulinha estiver devendo que ele enfrente a Justiça como qualquer outro brasileiro. Por isso, hoje é impossível afirmar que uma eventual ligação de Lulinha com o banqueiro possa prejudicar a consolidada candidatura presidencial do líder petista. Enquanto o fogareiro arde, é bom que deputados, senadores, governadores e até magistrados não esqueçam que, por muito menos, anularam as atuações do ex-juiz e atual senador Sérgio Moro e do ex-procurador e ex-deputado federal Deltan Dallagnol na Lava-Jato. Na verdade, no Big-Brother do caso Master poucos ainda se entendem.

Como tudo de ruim no Brasil, à tarde os vazamentos que eram só coincidências pela manhã viram conveniência. Às vezes, eles se transformam em caos à noite. Tudo de acordo com a vontade do vazador. Entre mensagens, prints e manchetes em jornais nacionais, o que realmente falta são respostas claras para as dúvidas que os interessados na desordem e na anarquia apresentam diariamente. As forças do mal não cessam. Graças a Deus, para o regente político do país as tensões não alcançam o Palácio do Planalto. É como se ele estivesse sendo regido pela tese da Hakuna Matata, cuja definição é que não há problemas ou não há com o que se preocupar no presente.

Oxalá! Oremos!

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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