Curta nossa página


Ideal político

Voz do povo tem força para manter democracia

Publicado

Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

O dia a dia dos brasileiros com Luiz Inácio Lula da Silva pode não ter sabor de morango com chantily. Entretanto estamos bem longe do amargo do jiló, da picância da malagueta e da acidez do limão que teríamos caso o Brasil se mantivesse sob o jugo do clã Bolsonaro. Com todo respeito a Tom Jobim e Newton Mendonça, seria algo similar ao Samba de Uma Nota Só. A diferença é que a canção tem poesia em vez de golpe, melodia em vez de tiros de canhão e versos maravilhosos em lugar de gritos esganiçados e ditatoriais.

Meu ideal político pode não incluir Lula, mas passa obrigatoriamente pela perenização da democracia. E, guardados os adjetivos impatrióticos para outra ocasião, o sistema em que todos os brasileiros têm o mesmo ponto de partida não é da preferência de Jair Bolsonaro, tampouco de sua prole, hoje liderada pelo presidenciável sem nexo Flávio Bolsonaro (PL). Apesar das críticas à definição, fecho com o filósofo Platão quando ele diz que a democracia é uma constituição agradável, anárquica e variada, distribuidora de igualdade indiferentemente a iguais e a desiguais.

Reitero que, em um país onde 90% dos congressistas são eleitos pelo voto de legenda, Lula da Silva tem defeitos de A a Z e, portanto, não é perfeito. Todavia, ainda é o melhor que temos para evitar que o povo brasileiro continue levando rasteiras dos extremistas à direita, os quais, sem máscaras e a olho nu, agem como dois lobos e uma ovelha decidindo o que comer no jantar. Sem margem de erro para qualquer lado, Lula representa ipsis litteris a frase de Winston Churchill, para quem a democracia “é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor do que ela”.

É claro que não há hipótese de sobrevivência de uma democracia que não cura os males da corrupção, da injustiça, da mentira e da hipocrisia. E como contê-las? O primeiro passo seriam os patriotas de oportunidade se lembrarem que falsos profetas, supostos mitos e pastores de emendas parlamentares são déspotas, embora se finjam de deuses exclusivamente para dominar o paraíso. Apesar de claudicantes, os defensores da democracia no Brasil não pretendem criar santos, mas tentam fazer justiça.

Como o tempo, a democracia não existe sem tempestades. Apesar das intempéries, ela é infinitamente melhor do que o inferno da ditadura. Ainda que os “patriotas” prefiram a guerra, democracia é sinônimo de paz, de convivência de forma civilizada com os diferentes. Em resumo, meu ideal será eternamente o da defesa de ideias e de pontos de vista. Ou seja, jamais serei a favor de homens. Como meu objetivo é a liberdade de expressão e a manifestação democrática, continuarei marchando ao lado dos que trabalham pela estabilidade e pela governança.

Consciente de que, para a minoria extremista, o regime democrático é autoritarismo, lembro diariamente que a democracia é construída e exercida a partir da liberdade racional e divergente dos pensamentos. Infelizmente, no Brasil dos anos 2020 os políticos, notadamente os conservadores, sempre tiveram uma relação promíscua com o sistema. Esquecendo o partidarismo ideológico, eles usam a democracia para se elegerem, mas não suportam eventuais protestos contra suas desventuras políticas, algumas tão cabeludas que acabam nas páginas policiais. Minha conclusão é elementar: A política é a voz do povo. Usá-la é um ato de transformação.

………

Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.