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Lula na Time

‘Zelensky queria guerra e agora deve segurar as pontas’

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Foto/Imagem:
Pretta Abreu, Edição - Foto de Arquivo

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky queria mesmo uma guerra com a Rússia, caso contrário teria negociado muito antes do início da operação militar especial do Kremlin, segundo o ex-presidente e eventual candidato ao Palácio do Planalto nas próximas eleições, Luiz Inácio Lula da Silva.

Em entrevista à revista Time, Lula abordou uma ampla gama de problemas globais e do Brasil, incluindo a atual crise na Ucrânia.

“Ele queria a guerra. Se não quisesse a guerra, teria negociado um pouco mais. Só isso”, disse Lula. Explicando sua posição, o petista chamou a atenção para as constantes transmissões de Zelensky ao redor do mundo, dirigindo-se a quase todos os públicos e recebendo regularmente aplausos.

O ex-presidente disse que “às vezes eu sento e vejo o presidente da Ucrânia falando na televisão, sendo aplaudido, sendo aplaudido de pé por todos os parlamentares [europeus]”.

“Esse cara é tão responsável quanto Putin pela guerra. Porque na guerra não há apenas uma pessoa culpada”, afirmou. “[Este] presidente da Ucrânia poderia ter dito: ‘Vamos, vamos parar de falar sobre esse negócio da Otan, sobre a adesão à UE por um tempo. Vamos discutir um pouco mais primeiro.'”

Questionado se acha que Zelensky deveria ter continuado as negociações antes do lançamento da operação militar especial em 24 de fevereiro e até antes, o ex-presidente observou que a conduta do presidente ucraniano “é um pouco estranha”.

“Parece que ele faz parte do espetáculo. Ele está na televisão de manhã, ao meio-dia e à noite. Ele está no parlamento do Reino Unido, no parlamento alemão, no parlamento francês, no parlamento italiano, como se estivesse fazendo uma campanha política. Deveria estar na mesa de negociações”, sugriu Lula.

Segundo ele, ninguém “está tentando ajudar a criar a paz”. Lula também observou que as pessoas estão incitando o ódio ao presidente russo Vladimir Putin, mas “isso não vai resolver as coisas.”

“Precisamos chegar a um acordo”, afirmou. “Mas as pessoas estão incentivando [a guerra]. Você está incentivando esse cara [Zelensky], e então ele pensa que é a cereja do bolo. Deveríamos ter uma conversa séria: ‘OK, você foi um bom comediante. não façamos guerra para você aparecer na TV.’ E devemos dizer a Putin: ‘Você tem muitas armas, mas não precisa usá-las na Ucrânia. Vamos conversar!'”

Ao falar sobre o presidente americano Joe Biden, Lula admitiu que o respeitava por suas propostas de política econômica, embora “não basta anunciar o programa, é preciso executá-lo”. E Biden está tendo um “momento difícil” com isso.

Lula acredita que o presidente americano não demonstrou liderança em relação à crise Rússia-Ucrânia:

“Os EUA têm muita influência política”, explicou. “E Biden poderia ter evitado [a guerra], não incitado. Ele poderia ter falado mais, participado mais. Biden poderia ter pegado um avião para Moscou para conversar com Putin. Esse é o tipo de atitude que você espera de um líder. Intervir para que as coisas não saiam dos trilhos. Não acho que ele tenha feito isso.”

Lula também expressou a opinião de que Biden não seria obrigado a fazer “concessões” à Rússia se tivesse feito um esforço para negociar.

“Da mesma forma que os americanos persuadiram os russos a não colocar mísseis em Cuba em 1961, Biden poderia ter dito: ‘Vamos falar um pouco mais. Não queremos a Ucrânia na Otan, ponto final’. Isso não é uma concessão”, disse o ex-presidente.

Segundo Lula, “nós políticos colhemos o que plantamos”. “Não é apenas Putin que é culpado. Os EUA e a UE também são culpados. Qual foi o motivo da invasão da Ucrânia? A Otan? Então os EUA e a Europa deveriam ter dito: A Ucrânia não se juntará à Otan. Isso teria resolvido o problema”, enfatizou.

Lula criticou os políticos europeus por incitar a atual situação volátil. “Os europeus poderiam ter dito: ‘Não, agora não é o momento para a Ucrânia se juntar à UE, vamos esperar.’ Eles não precisavam encorajar o confronto”, finalizou.

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