Mulheres de diferentes corpos e gerações conquistaram mais espaço na publicidade, nas vitrines e, principalmente, na conversa sobre moda. O guarda-roupa começa a refletir melhor aquilo que sempre esteve nas ruas: pessoas reais não são produzidas em tamanho único.
Há mulheres baixas e altas, magras e gordas, com quadris largos, ombros estreitos, seios grandes ou pequenos. E há mulheres de 20 anos que adoram roupas clássicas e senhoras de 70 que ficam magníficas usando jeans.
Nenhuma etiqueta deveria ter autoridade para decidir quem pode ser elegante, porque roupa boa é aquela que encontra a pessoa, e isso não significa abandonar critérios.
Caimento continua importante. Proporção também. Tecidos, cortes e comprimentos podem valorizar diferentes silhuetas, mas existe enorme diferença entre conhecer o próprio corpo e travar uma guerra contra ele.
A roupa deveria trabalhar a favor de quem a veste, não o contrário. Quando uma mulher passa horas desconfortável apenas porque determinada peça está na moda, alguma coisa deu errado nessa relação.
Moda pode sugerir, contudo, jamais deveria sentenciar. E há outro detalhe frequentemente esquecido: conforto também pode ser sofisticado.
Um tecido agradável, uma cintura que não aperta, um sapato no qual se consegue caminhar e uma peça que acompanha os movimentos podem produzir uma elegância muito maior do que qualquer figurino suportado com sofrimento.
E quem disse que idade tem uniforme? Talvez uma das regras mais ultrapassadas seja aquela que determina como uma mulher deve se vestir depois de determinada idade.
Envelhecer não obriga ninguém a desaparecer dentro de roupas sem personalidade. Cabelos brancos podem acompanhar cores intensas. Rugas convivem perfeitamente com brincos grandes. Um vestido bonito não pede carteira de identidade antes de ser vestido.
Naturalmente, gostos mudam, como o corpo e a vida. E justamente por isso o estilo pode amadurecer junto.
A elegância de uma mulher de 60 ou 70 anos talvez esteja precisamente naquilo que uma jovem ainda está aprendendo: conhecer a si mesma. Depois de décadas experimentando cortes, cores, erros e acertos, chega uma fase em que o espelho pode deixar de ser tribunal.
Torna-se cúmplice.. e no fim das contas, tendências passam. A barra sobe, depois desce; a calça aperta e depois alarga; uma cor vira febre e meses depois desaparece das vitrines.
Mas estilo é diferente, porque fica. É que a peça mais importante de qualquer guarda-roupa nunca esteve pendurada num cabide, mas na personalidade de quem a veste.

