Escárnio total
120 vidas interrompidas e a CPI protege quem matou
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Em outubro de 2025, uma operação policial no Rio de Janeiro terminou com 120 mortos. Uma carnificina justificada sob o argumento do combate ao crime organizado. A expressão “debelar o crime” foi repetida à exaustão, como se fosse capaz de suavizar o peso de tantas vidas interrompidas. Mas não suaviza, não explica e, principalmente, não responsabiliza.
Diante da gravidade do episódio, o Congresso instalou uma CPI com a promessa de investigar não apenas a operação, mas também as engrenagens do crime organizado. Era a chance de o país encarar de frente suas próprias contradições: violência estatal, omissões institucionais e a força das facções. Criou-se uma expectativa mínima de seriedade. Afinal, 120 mortes exigem respostas concretas, nomes, responsabilidades.
Mas o desfecho de ontem ultrapassa qualquer limite do razoável. O relator da CPI, senador Alessandro Vieira, apresentou um relatório onde decidiu indiciar três ministros do STF e o procurador-geral da República. Nenhum líder de facção. Nenhum policial. Nenhum miliciano. Nenhum governante. Cento e vinte mortos depois, a conclusão foi essa. Inacreditável. Normalizamos o absurdo.