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Terceira via

Temer só entra no jogo da sucessão como gandula

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Seja de direita, de esquerda, de centro ou da ladeira abaixo, todos os políticos brasileiros da atualidade são reflexo da sociedade. De forma mais objetiva, os políticos ruins eleitos em um sistema democrático refletem o descompromisso do povo com seu próprio futuro. Antigo de casa, já não me assusto com a política, mas cada vez mais morro de medo dos políticos. Portanto, antes de cometer pequenos desvios mentais na hora de votar, é fundamental que lembremos das grandes consequências. Faço isso desde a virada do século.

Com a serenidade dos cidadãos conscientes, sou daqueles que não encara o voto somente como um dever, mas sim como um ato de civismo e de cidadania. Quem vota bem, tem poder. Em outras palavras, voto não tem preço. Ele tem consequências. Ainda estamos bem distantes de alcançar o tempo da plenitude política. Quando isso ocorrer, quem sabe nossos políticos perceberão que, acima das disputas políticas, estão os interesses da coletividade.

Faz tempo que criei coragem para interpretar como falácia todos os discursos, textos e ensaios dedicados à polarização. De cara, tenho ojeriza pelo termo, cuja definição é tão medonha que os que nele se precipitam dificilmente voltam. Dizem os mais sábios, que eles aprendem a odiar o caminho de volta. Dito isso, assumo minha condição etérea de defensor de opções eleitorais, principalmente quando a disputa é pela Presidência da República.

Embora tenha posição definida desde o pleito de 2018, sinto saudades das eleições de 1989, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, nas quais o leque de candidatos reais e candidatos fantasia era farto. Em 2016, Dilma Rousseff ganhou de Aécio Neves e de Marina Silva. Com o impeachment de Dilma no segundo mandato, assumiu o vice Michel Temer, que também fora vice em 2006. É aqui que, de fato, começa minha narrativa a respeito da ruindade política de alguns de nossos atuais e antigos representantes.

O antecessor do presidente em exercício dispensa comentários. Temer, ao contrário, merece todos. Ainda que seja óbvio o merecimento, prefiro comemorar sua recente decisão de não concorrer ao Palácio do Planalto, de onde saiu sem deixar saudades. Tudo, menos Temer dentro de campo. No máximo como gandula na diagonal ou pegando bola atrás do gol. Não sei e não quero saber quem o teria convidado. Importante é que ele declinou e fez feliz 213 milhões de brasileiros e, quiçá, milhares de argentinos, venezuelanos e até troianos.

A alegação de que havia um sentimento das bases do MDB pelo nome de Temer é pífia, na medida que a legenda que já abrigou Ulysses Guimarães, Roberto Cardoso Alves e Nelson Carneiro, entre outras lendas da política, hoje não passa de um arremedo de partido. Fora Temer! E para sempre. Apesar de continuar torcendo pela terceira via, por enquanto me rendo à impertinência daqueles que acham que a política nacional se limita a Luiz Inácio Lula da Silva e a Jair Bolsonaro ou a quem ele indicar. Talvez eu parta antes de me livrar de debates destemperados entre amigos, colegas, conhecidos e até mesmo no seio familiar. Só não posso morrer imaginando Michel Temer de novo derrubando os que lhe deram vez e voz.

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