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Queremos ocupar espaços

A alegria de ser mulher, mas sem a violência que nos impoem

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Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Ser mulher é uma experiência complexa. Carrega dores, pressões e expectativas. Mas também carrega uma potência imensa de criação, inteligência e resistência. Há algo profundamente vibrante em existir como mulher no mundo, mesmo quando o mundo insiste em dificultar essa existência.

Queremos ocupar espaços de liderança. Queremos dirigir empresas, coordenar pesquisas, governar cidades, transformar instituições. Queremos o direito de experimentar o cansaço de quem trabalha demais, de quem lidera projetos, de quem carrega responsabilidades.

Queremos até mesmo as dores do poder.

Queremos saber como é chegar tarde em casa depois de uma reunião importante. Queremos sentir a exaustão de quem administra equipes, cria filhos, escreve livros, constrói carreiras. Queremos a sobrecarga que nasce da escolha e da ambição.

O que não queremos é outra coisa: violência.

Não queremos que nossos corpos sejam avaliados antes de nossas competências. Não queremos caminhar pelas ruas calculando rotas seguras. Não queremos que o medo faça parte da rotina feminina.

O patriarcado sempre tentou transformar a experiência de ser mulher em sinônimo de vulnerabilidade. Como se o destino feminino fosse inevitavelmente atravessado por assédio, estupro ou morte. Essa narrativa precisa ser desmontada.

A filósofa Judith Butler argumenta que a sociedade define quais vidas são consideradas plenamente vivíveis. O desafio político do feminismo é justamente ampliar as condições para que a vida das mulheres seja vivida com dignidade e liberdade.

Queremos o direito ao erro profissional, à ambição, ao fracasso e ao sucesso. Queremos poder trabalhar demais, reclamar do excesso de responsabilidades e discutir salários como qualquer pessoa inserida no mundo público.

O que recusamos é a violência como parte inevitável dessa trajetória.

Não queremos proteção paternalista. Queremos transformação estrutural.

Se houver dores na experiência de ser mulher e inevitavelmente haverá que sejam as dores da autonomia, da responsabilidade e da liberdade. Nunca as dores da violência.

Porque ser mulher pode ser difícil. Mas nunca deveria ser perigoso.

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