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Flávio empata com Lula e deixa sucessão incerta
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A pesquisa Quaest/Genial Investimentos divulgada nesta quarta, 11, mostra crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL), que já empata numericamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno das eleições de outubro. O dado mais sensível do levantamento não está apenas no empate dentro da margem de erro (cada um aparece com 41% das intenções de voto), mas na velocidade com que o quadro se move: enquanto Flávio avança três pontos percentuais, Lula oscila negativamente dois pontos na comparação com fevereiro, sinalizando que a disputa presidencial começa a ganhar contornos mais tensos e imprevisíveis.
Flávio cresceu acima da margem de erro da pesquisa — de dois pontos percentuais para mais ou para menos —, o que transforma o movimento em sinal político concreto. O senador, até pouco tempo visto como nome dependente do capital eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro, passa a ser percebido por setores do eleitorado conservador como alternativa viável para manter unido o campo da direita, sobretudo num cenário em que o bolsonarismo segue mobilizado, com forte presença digital e capacidade de nacionalizar temas ligados à economia, segurança pública e costumes.
No segundo turno, segundo a Quaest, Lula derrotaria hoje apenas nomes como Ratinho Júnior, Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. O dado reforça que a polarização nacional continua concentrada entre lulismo e bolsonarismo, reduzindo o espaço para candidaturas de centro ou de perfil regional.
A leitura política mais ampla indica que um eventual segundo turno entre Lula e Flávio tende a ser uma das disputas mais acirradas desde a redemocratização. De um lado, Lula ainda preserva musculatura no Nordeste, na máquina federal e em parcelas do eleitorado popular beneficiadas por programas sociais. De outro, Flávio herda a narrativa de oposição permanente, a fidelidade do eleitor conservador e o desgaste natural de um governo que enfrenta pressões econômicas, ruídos institucionais e fadiga política após anos de polarização contínua.
Se a fotografia de hoje se mantiver até outubro, a campanha deverá ser marcada menos por propostas inéditas e mais por confronto direto de rejeições: Lula tentando preservar sua base histórica e conter erosões no centro; Flávio apostando em converter descontentamento difuso em voto útil contra o PT. Nesse ambiente, cada oscilação de humor econômico, cada crise política e cada movimento do Congresso poderá alterar rapidamente o equilíbrio de forças no caminho até o Eleições gerais no Brasil de 2026.
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Marta Nobre é Editora Executiva de Notibras
