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Corrida às urnas

Articulação e rejeição vão influir na sucessão

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Autor/Imagem:
João Zisman - Foto de Arquivo

Um dos aspectos mais relevantes da pesquisa eleitoral Genial/Quaest sobre sucessão presidencial divulgada na quarta, 11, é a manifestação da autodeclaração política dos eleitores. O levantamento permite observar como o eleitorado brasileiro se distribui em relação aos principais campos ideológicos presentes no debate político nacional.

Pelo estudo, o país apresenta a seguinte configuração: 19% se identificam como lulistas, 14% se identificam como esquerda não lulista, 32% se declaram independentes, 21% se identificam como direita não bolsonarista e, 12% se identificam como bolsonaristas.

Esse retrato indica que os polos ideológicos mais estruturados da política brasileira representam cerca de um terço do eleitorado. A maior parte dos eleitores se encontra em posições intermediárias ou menos vinculadas a identidades políticas rígidas.

O espaço eleitoral mais amplo encontra-se distribuído entre três segmentos principais. O eleitorado independente, que corresponde a cerca de um terço do país. A direita não bolsonarista, que representa pouco mais de um quinto do eleitorado. E a esquerda não lulista, que reúne parcela relevante do campo progressista sem identificação direta com o lulismo. Esses segmentos formam o principal campo de disputa eleitoral.

Grau de consolidação
O levantamento indica que tanto o lulismo quanto o bolsonarismo mantêm núcleos de apoio relativamente consolidados. Lula apresenta base eleitoral consistente entre eleitores que se identificam diretamente com o lulismo e também entre parcela significativa da esquerda não lulista. Esse grupo constitui o núcleo político mais estável do presidente.

Ao mesmo tempo, a pesquisa revela níveis elevados de rejeição ao presidente entre parcela expressiva do eleitorado, o que estabelece limites claros para sua expansão eleitoral.

No campo conservador ocorre fenômeno semelhante. O bolsonarismo apresenta núcleo duro fiel e politicamente mobilizado. Esse grupo representa aproximadamente doze por cento do eleitorado.
A expansão eleitoral desse campo depende fundamentalmente da capacidade de absorver eleitores da direita não bolsonarista e parte do eleitorado independente.

O eleitorado volátil
A pesquisa evidencia a presença de um contingente significativo de eleitores que não demonstram alinhamento ideológico rígido.

Esse grupo é formado principalmente por eleitores independentes e por segmentos que transitam entre os campos políticos sem identificação permanente com lideranças específicas. O eleitorado independente corresponde a cerca de trinta e dois por cento da amostra. Trata-se do grupo mais numeroso do levantamento.

Esse segmento tende a avaliar candidaturas com base em critérios associados à estabilidade política, capacidade de gestão administrativa, previsibilidade institucional e percepção de viabilidade eleitoral. Historicamente, esse eleitorado desempenha papel decisivo na definição das eleições presidenciais.

Transferência de votos
A análise dos cenários eleitorais indica que os candidatos alternativos ao atual presidente apresentam trajetórias distintas de crescimento dentro do eleitorado.

Ratinho Jr. demonstra potencial relevante em três segmentos eleitorais. Entre eleitores da direita não bolsonarista, entre parcela do bolsonarismo pragmático e também entre eleitores independentes. Essa combinação permite que sua candidatura dialogue com o campo conservador sem apresentar níveis elevados de rejeição imediata no eleitorado moderado.

Romeu Zema apresenta desempenho potencial relevante entre eleitores identificados com pautas liberais e entre segmentos urbanos do Sudeste. Seu principal ativo eleitoral encontra-se no estado de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.

Ronaldo Caiado demonstra maior aderência entre eleitores conservadores do interior, especialmente no Centro-Oeste e em áreas vinculadas ao setor do agronegócio. Seu desempenho potencial concentra-se principalmente dentro do campo conservador.

Eduardo Leite apresenta maior capacidade de diálogo com eleitores independentes urbanos e com parcela da esquerda não lulista que manifesta rejeição à polarização política. Esse espaço eleitoral, entretanto, aparece como relativamente mais restrito no cenário atual.

Condições competitivas
Os cenários simulados na pesquisa indicam que a competitividade eleitoral depende da capacidade de cada candidatura ampliar sua base além do núcleo ideológico original.

A consolidação de uma candidatura competitiva exige a combinação de três fatores principais. Capacidade de unificação do campo político de origem, redução de rejeição em segmentos moderados do eleitorado e expansão entre eleitores independentes.

Entre os nomes alternativos avaliados pela pesquisa, Ratinho Jr. apresenta a menor diferença percentual em relação a Lula em cenários simulados de segundo turno. Esse desempenho está associado à combinação entre menor rejeição relativa e maior capacidade de diálogo com eleitores independentes e com a direita não bolsonarista.

Romeu Zema surge como alternativa competitiva dentro do campo liberal e econômico, embora sua expansão nacional dependa da ampliação de reconhecimento político fora de Minas Gerais.
Ronaldo Caiado tende a consolidar apoio principalmente dentro do campo conservador tradicional, com menor penetração entre eleitores independentes.

Eduardo Leite demonstra maior aceitação em segmentos moderados do eleitorado, mas enfrenta dificuldades para construir base eleitoral ampla em cenário de polarização intensa.

Síntese do cenário
Os dados apresentados pela pesquisa Genial/Quaest permitem observar um sistema político ainda marcado pela polarização, mas também revelam a presença significativa de eleitores posicionados fora dos polos ideológicos.

Os núcleos políticos mais identificados com lulismo e bolsonarismo permanecem relevantes no debate nacional, mas representam parcela minoritária do eleitorado.

A maior parte dos eleitores encontra-se distribuída entre posições intermediárias, segmentos independentes e eleitores que transitam entre campos políticos distintos.

Nesse contexto, o desempenho eleitoral das candidaturas tende a depender da capacidade de articulação política, redução de rejeição e expansão entre os segmentos menos alinhados ideologicamente.

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