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Violência de gênero

Quando o ódio tenta apagar uma mulher

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Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto de Arquivo

A violência contra mulheres assume muitas formas. Algumas são físicas, brutais e visíveis. Outras operam no campo simbólico, tentando deslegitimar identidades, trajetórias e presenças políticas. A transfobia é uma dessas formas de violência que se manifesta tanto em agressões diretas quanto em tentativas sistemáticas de negar humanidade e cidadania.

Quando ataques públicos são direcionados contra a deputada Erika Hilton, não estamos diante apenas de uma discordância política. Estamos diante de um fenômeno mais profundo: a tentativa de reafirmar quem tem direito de existir no espaço público.

Mulheres trans ocupam hoje lugares que historicamente lhes foram negados universidades, parlamentos, espaços de produção intelectual e cultural. Essa presença incomoda porque desafia normas rígidas sobre gênero e poder. A filósofa Judith Butler já argumentava que corpos que rompem expectativas sociais frequentemente se tornam alvos de tentativas de controle e exclusão.

A transfobia, portanto, não é apenas preconceito individual. Ela funciona como mecanismo disciplinador. Ao atacar publicamente uma mulher trans em posição de visibilidade, a mensagem transmitida é dirigida também a todas as outras: “vocês não deveriam estar aqui”.

Mas a história recente mostra exatamente o contrário. Mulheres trans estão escrevendo, pesquisando, legislando e reorganizando debates sobre cidadania e direitos humanos. Sua presença revela que a democracia não pode ser seletiva.

Quando uma mulher trans ocupa o parlamento, publica livros ou participa do debate público, ela amplia o horizonte de quem pode falar, pensar e governar. E é justamente essa ampliação que provoca reações violentas.

Defender essas presenças não é apenas um gesto de solidariedade. É defender a própria ideia de que a esfera pública deve pertencer a todos os corpos que compõem a sociedade.

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