Curta nossa página


Bucha de canhão

Milei, sem controlar Argentina, quer ir para a guerra contra os aiatolás

Publicado

Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo

Do tipo biruta de aeroporto, o presidente argentino Javier Milei descobriu um nova faceta em sua vidinha mais ou menos de bajulador emérito: vaquinha de presépio do boi bandido Donald Trump, também conhecido pelo pomposo apelido de fungador de cangotes duvidosos. No auge do conflito protagonizado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, Milei acaba de divulgar a melhor piada já contada por um fuzileiro naval da frota de elite norte-americana a um dos aiatolás. Conforme o porta-voz da Casa Rosa, Javier Lanari, a Argentina quer entrar na guerra.

De Javier para Javier, basta Trump pedir e los Hermanos encaminharão pelas Aerolíneas Argentinas o moderníssimo arsenal bélico dos portenhos para o Oriente Médio, incluindo o regimento da cavalaria aérea instalada nas Ilhas Malvinas e o regimento de táxis pretos e amarelos em circulação no país. Segundo o comunicado oficioso do representante do cabeleira esvoaçante, só estarão fora do pelotão de frente os generais Jorge Rafael Videla e Leopoldo Galtieri, ambos até hoje foragido das Mães da Plaza de Mayo.

Também não foram chamados para compor o perigoso contingente da frente argentina os defensores e atiradores Lionel Messi, Aníbal Moreno, Lucas Romero, Agustin Rossi, Luciano Acosta, Rodrigo Garro, Tomás Cuello, Álvaro Montoro, Franco Cristaldo, Braian Aguirre, Cristian Pavon, Walter Kannemann, Lucas Villalba, Mateo Sanabria e German Cano, todos presos por conta do escândalo do Banco Master, cujo ex-proprietário, até prova em contrário, não tem vínculo com nenhum dos clubes brasileiros, mas ganhou de lavada de todos os cartolas dos bancos nacionais.

Assim como os argentinos, uruguaios, paraguaios, venezuelanos, chilenos, bolivianos, equatorianos e brasileiros querem saber onde o Peru de fora quer dar peruada. Logo ele, o homem das madeixas desalinhadas por segundos, terceiros e décimos quintos das frentes de trabalhadores locais. Javier Milei, o parceiro do fracassado bolsonarismo, é o mesmo presidente que fala, fala, fala de novo, continua falando e a pobre da Argentina permanece em queda livre.

Das mais grotescas, a piada de inclusão da Argentina na guerra contra o Irã só não é mais sem graça do que a terrível situação econômica da eterna nação do mestre Juan…….Perón. Além de conviver com uma das piores recessões do planeta, o país enfrenta alta pobreza, desemprego em ascensão, um setor enfraquecido e, de quebra, é obrigado a aturar um mandatário bajulador. Na verdade, um produtor diário de besteiras. Como diz o ditado criado no subúrbio do Rio de Janeiro, besteira é um besteirol besta usado por gente besta para bestializar a bestialidade das bestas. É o próprio.

Com todo o respeito ao povo portenho, mais como deve ser triste a vida de um bajulador. Ele sabe que não tem valor em nada do que faz. Por isso, só lhe resta se tornar especialista em bajular. Pelo menos nisso Javier Milei é bom: escolheu o líder da maior nação do planeta para sacolejar o saco. Quanto ao argumento de que diante do terrorismo não pode haver trégua, me abstenho de comentar, na medida em que o mundo inteiro sabe que Trump e Benjamin Netanyahu não estão nem aí para os aiatolás terroristas. O que eles querem é o petróleo iraniano. Nada mais do que isso. A pergunta que não quer calar é menos letal do que a oferta de Milei. Será que americanos e judeus estão sem pólvora e precisando com urgência de uma bucha de canhão?

…………..

Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.