Modismo oportuno
Vassalos querem impor ao STF a prisão domiciliar para Jair Bolsonaro
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Servidão voluntária, metáfora moderna de obediência ou necessidade física de ser enganado? Seja o que for, todos esses conceitos se aplicam à vassalagem desmedida, esquizofrênica e egocêntrica dos patriotas sem pátria em relação a um ex-presidente sem palácio. Ajoelhados perante um amor de sonho perdido, os serviçais políticos de Bolsonaro criaram um novo modismo feudatário e de submissão a uma cabeça coroada pelo amontoado de espinhos dos que que morreram em nome do cultivo do jardim familiar que nunca mais florescerá.
Apesar da falsiane trajetória e do ego falido, o cidadão autodenominado mito permanece no inconsciente coletivo daqueles que se orgulham de ser pequenos. São os que sempre encontram oportunidade para fazer o mal cem vezes por dia e o bem uma vez por ano. Isto quando o servo permite. Ao comemorar os 71 anos de vida de Jair Bolsonaro, seus apoiadores consolidaram a expressão idiomática que eles, com apoio da turma da vigarice do Congresso Nacional, pretendem impor ao Supremo Tribunal Federal, particularmente a Alexandre de Moraes.
Mais do que uma proposta humanitária, a pressão pela concessão da prisão domiciliar para Bolsonaro é claramente uma ofensiva política eleitoreira. Como seres humanos, é claro que devemos respeitar o estado de saúde do ex-mandatário. O problema são suas mentiras, quase todas assumidas e utilizadas largamente pela equipe médica que o atende. Com a óbvia exceção dos bolsonaristas, até que ponto o povo brasileiro não está sendo enganado mais uma vez?
Uma pena que a população do bem seja obrigada a pensar assim, mas, partindo de Jair Bolsonaro, tudo é possível, inclusive tudo. Se realmente houver necessidade, que ele vá temporariamente para casa. Interessante é que, conforme a tese do filósofo e ensaísta francês Voltaire, os pequenos adoram falar de si próprios. Certamente as penitenciárias e as delegacias estão lotadas de doentes terminais. Azar deles. Afinal, Bolsonaro é um mito e, para os vassalos, se ele não existisse, seria preciso inventá-lo. São dois pesos para medidas diferentes para situações idênticas. Triste do Brasil dos patriotas forjados nas mentiras espalhadas pela mídia ninja e descompromissada.
Infelizmente, é o mesmo Brasil dos verdadeiros patriotas. O que fazer se todo homem acaba sendo culpado do bem que não fez. Outra curiosidade em relação à tietagem barata e periférica a um ex-presidente de pouquíssimas obras e de muito rastro de obscuridade, tensão e soberba é o uso de um único peso em sua avaliação pessoal e política. Se ele é tão bom, por que não foi reeleito? Se suas propostas eram milagrosas, por que permitiu que 700 mil pessoas morressem de Covid? E se é tão justo como dizem, por que tentou derrubar Lula por meio de um golpe?
Quanto às medidas dos vassalos, há que se registrar que ninguém põe remendo novo em pano velho. Se fossem tão justos como pregam, certamente teriam pensado mil vezes antes de tentar se manter no poder quebrando a República. Ou seja, vassalagem sem critério é a mesma coisa de uma luz que não consegue dissipar a escuridão da ignorância. Como disse Bob Marley, se a gente não obedece às regras, acaba perdendo a razão e até a diversão. Portanto, vida longa a Jair Bolsonaro, mas que sua saúde seja detidamente avaliada, de modo que o Brasil tenha certeza de que sua anunciada morte não passe de mais uma grosseira e ameaçadora fake news.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978