Nikolas Ferreira
O porta-voz de quem quer manter mulheres como alvos
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A aprovação, pelo Senado, do projeto de lei que equipara a misoginia ao crime de racismo é um marco civilizatório que o Brasil vinha devendo há muito tempo. Em um país onde o discurso de ódio contra mulheres ainda é frequentemente naturalizado, transformar essa violência simbólica em crime é reconhecer que palavras também matam. Não se trata de cercear opiniões, mas de estabelecer limites mínimos de convivência em uma sociedade que se pretende democrática e igualitária.
É nesse contexto que causa espanto, ainda que não surpresa, a reação do deputado Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, ao anunciar que fará de tudo para derrubar a proposta. Em vez de se somar a um esforço coletivo para enfrentar uma realidade brutal, o parlamentar opta por defender a manutenção de um ambiente permissivo à hostilidade contra mulheres. Sua posição não apresenta qualquer alternativa de enfrentamento à violência de gênero; ao contrário, revela uma prioridade inquietante: proteger o direito de atacar, humilhar e desumanizar mulheres.
No Brasil, uma mulher é estuprada a cada oito minutos. São incontáveis os casos de feminicídio, muitos cometidos por parceiros ou ex-parceiros, dentro de relações marcadas por controle, ciúme e violência. Diante desse cenário de horror cotidiano, Nikolas não tem proposta, projeto, política. Apenas a defesa de um suposto “direito” de odiar.