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União insalubre

Abadia deixa ninho tucano para se aventurar em terreno lamacento

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Marcos Medeiros - Foto de Arquivo

No tabuleiro sempre volátil da política brasiliense, a deputada distrital Paula Belmonte parece ter aberto, ainda que sem alarde, as portas de um movimento que poucos imaginariam há alguns meses. Ao deixar escapar das mãos a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia, a tucana acaba por dar asas a uma reaproximação improvável, e para alguns indigesta, com o antigo adversário José Roberto Arruda.

Abadia oficializa sua entrada no PSD nesta sexta-feira (27), data simbólica em que Ceilândia celebra 55 anos. Não por acaso, aquela Região Administrativa guarda a marca de sua trajetória, desde os tempos em que atuava como assistente social nas ocupações que deram origem à maior satélite do Distrito Federal. Trata-se de uma biografia que mistura política e chão batido.

O destino é o partido comandado regionalmente por Paulo Octávio — o mesmo que, em 2006, figurou como vice na chapa vitoriosa de Arruda, derrotando justamente Abadia na disputa pelo Buriti. Duas décadas depois, os papéis se reorganizam com a naturalidade desconcertante que só a política permite. É que pouca gente imaginava que a ex-governadora fosse pedir votos para um ficha suja.

Mais do que uma simples filiação, o gesto carrega peso simbólico. Tudo porque Abadia não apenas muda de legenda, mas sinaliza apoio à candidatura do ‘homem dos panetones’. Uma aliança que, até ontem, parecia improvável, para não dizer impensável.

E é aí que mora a ironia. Ao tentar consolidar seu próprio projeto rumo ao Palácio do Buriti, Paula Belmonte vê escapar uma aliada histórica, que agora cruza a ponte para um novo ninho. Resta saber se o acolhimento no PSD terá o mesmo calor e afeto que encontrou sob as asas tucanas, ou se será apenas mais uma dessas uniões pragmáticas, onde o passado é rapidamente arquivado em nome da sobrevivência eleitoral.

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