Evitando sofrimento
Guerra no Oriente Médio sugere que melhor sinal é colocar mãos na cruz
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A escalada da guerra no Oriente Médio é motivo de apreensão e preocupação em todo o mundo. A possibilidade de expansão do conflito armado para outros países e continentes se torna evidente a cada dia. Neste período de incertezas, uma coisa é certa: pelo sim pelo não, todos nós precisamos de proteção. Me refiro à proteção divina. A cruz é um dos símbolos mais antigos, universais usado para a proteção física e espiritual. É um poderoso talismã, que independe de crenças ou religiões.
Muito antes de se tornar o emblema central do Cristianismo, a cruz já aparecia em culturas antigas como sinais do cosmos ordenado, da união dos contrários, dos quatro elementos, das estações do ano e dos pontos cardeais. Em sua estrutura essencial, a cruz representa o encontro entre o eixo vertical, que une céu e terra, e o eixo horizontal, que simboliza o mundo humano, o tempo, a matéria e a experiência terrena.
Do ponto de vista simbólico e religioso, a cruz expressa a interseção entre o divino e o humano. No Egito Antigo, por exemplo, a cruz ansata (Ankh) simbolizava a vida eterna, a fecundidade e o sopro vital. Em tradições pagãs, objetos com formas de cruz também representavam equilíbrio, proteção e ordem universal.
No Cristianismo, porém, a cruz assume sua forma mais profunda e paradoxal. Ela se torna o símbolo do martírio, do sacrifício, da redenção e da vitória espiritual sobre a morte, por ter sido o instrumento da crucificação de Jesus Cristo. Com a crucificação de Jesus, o que antes era um instrumento de punição e vergonha converte-se em sinal de glória e salvação. Como escreve São Paulo: “a palavra da cruz é o poder de Deus”, revelando que, na lógica cristã, a fraqueza aparente pode ocultar a mais alta força espiritual.
Historicamente, a crucificação era uma pena cruel aplicada por povos antigos, especialmente pelos romanos, contra escravos, rebeldes e criminosos considerados ameaças à ordem imperial. Tratava-se de uma execução pública, lenta e humilhante, destinada não apenas à morte física, mas também à desonra social. No caso de Cristo, contudo, a cruz foi ressignificada. O instrumento de suplício tornou-se altar de fé, oferenda, oração e proteção. A crucificação, portanto, é um evento cósmico, no qual sofrimento, amor, justiça e misericórdia se encontram. Por isso, a cruz ocupa o centro da espiritualidade cristã, sendo sinal de fé e esperança.
Segundo os Padres da Igreja dos primeiros séculos do Cristianismo, a cruz não era apenas memória da Paixão, mas também sinal de poder espiritual e vitória sobre os demônios. Santo Agostinho, por sua vez, interpreta a cruz como o lugar em que a aparente derrota se converte em soberania espiritual, revelando a lógica divina que vence o mal não pela violência, mas pela verdade e pelo amor.
É nesse contexto que a cruz adquire papel central nos ritos de proteção e expulsão de espíritos malignos, especialmente em casos de possessão espiritual e exorcismo. Desde os primeiros séculos da Igreja, o sinal da cruz foi compreendido como selo de autoridade espiritual, capaz de invocar a vitória de Cristo sobre as forças das trevas. Nos Evangelhos, Jesus concede aos discípulos poder para expulsar espíritos impuros, e a tradição posterior passou a associar esse poder diretamente à cruz. Nas práticas devocionais e fórmulas litúrgicas, a cruz aparece como instrumento de defesa, purificação e restauração da ordem sagrada. Assim, a cruz atua como foco da presença divina diante da qual o mal é confrontado, desmascarado e afastado. Amém!
No plano esotérico e hermético, a cruz possui ainda uma leitura mais ampla e iniciática. Ela representa a união entre espírito e matéria, luz e sombra, tempo e eternidade, vida e morte. Em muitas tradições iniciáticas, a cruz é vista como diagrama do ser humano em processo de elevação. Os braços abertos representam a expansão da consciência, enquanto o eixo central (corpo) simboliza o caminho da ascensão interior. A cruz torna-se, assim, um mapa da transmutação espiritual.
A cruz cristã, portanto, não se limita à imagem do sofrimento. Ela é, ao mesmo tempo, martírio e glória, sacrifício e vitória, morte e ressurreição. Mais do que um objeto de devoção, a cruz permanece como um dos maiores arquétipos espirituais da humanidade. Ela recorda que a verdadeira elevação não ignora a dor, mas a atravessa; que o sagrado não está distante do sofrimento humano, mas o habita; e que, no centro da existência, existe sempre um ponto onde o humano toca o divino.
Portanto, ergamos a cruz com fé e oremos!
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Giovanni Seabra
Grão-Mestre do Colégio dos Magos e Sacerdotisas
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