Ovos mexidos
Sem CPMI do INSS, bactérias políticas devem pedir asilo ao velho da Havan
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Antes de partir compulsoriamente para as narrativas assexuadas, tipo novelas mexicanas das sete e das nove, fiz de tudo um pouco no jornalismo. De perseguições policiais às corridas de cavalos capados e éguas no cio, aprendi um tiquinho de cada coisa. Mas foi no futebol do Rio de Janeiro e na política de Brasília que me encontrei. Nessas duas editorias, descobri, por exemplo, que, ao contrário do que imaginam os catedráticos, anal e anais são palavras diferentes. Para alguns, uma é plural da outra, isto é, nada a ver.
Grosso modo, poderia dizer que para o anal dos anais que vão toda a grotesca produção de bosta dos deputados, senadores e afins. Não direi porque, às vésperas da Páscoa, é melhor sugerir à clientela da politicalha para que avalie, apalpe, sinta o frescor, o sabor e a maciez dos ovos esquerdos e direitos, mas não os aperte, de modo a não transformá-los em ovos mexidos. Pegue-os com carinho, pois, como bactérias sólidas e resistentes a qualquer tipo de antídoto, inclusive aos laxantes, os políticos de ocasião, os que atualmente têm assento no Congresso Nacional, podem se sentir maculados.
Maculados, eles reagem e, mesmo sem motivo, podem recorrer ao Supremo Tribunal exigindo o direito de reclusão domiciliar a fim de, não sei se me entendem, evitar a rendição. Definitivamente sem o picadeiro da CPMI do INSS para catapultar a candidatura dos horrores, as excelências que adoram babar ovos bambos ameaçam se associar aos ministros derrotados do STF e pedir asilo político ao velho da Havan, ao menino de recado que ora governa o Estado de Santa Catarina ou ao menino maluquinho, aquele do raio que quase o partiu.
Como essas excelências nada fazem em benefício da sociedade, é comum vê-las envolvidas em ações explícitas e públicas de libidinagem. Que o diga o deputado bolsonarista Luciano Alves (PSD-PR). Conservador de carteirinha e, como o clã mitológico, um dito defensor da família, o deputado da putada foi flagrado noite dessas negociando um programa com uma prostituta brasiliense. Supostamente por falta de recursos decorrentes das emendas parlamentares, o cidadão acima de todas as suspeitas não aceitou o valor proposto pela moça de vida difícil.
O pau quebrou e a peladinha não rolou. Portanto, actus non consummatum. Como disse, são os tais anais do Congresso Nacional, mais precisamente da Câmara de Luciano Alves. Eis a razão pela qual faço qualquer coisa com a mão esquerda, inclusive me recusar a usar a direita para segurar os ovos da Páscoa. Só aceito usar o lado direito quando é para segurar a patriotada que mata a cobra, mostra o pau, mas não consegue segurar a cachorrada no cio.
Pelo menos o deputado libidinoso acabou na mídia. E não houve confusão como aquela em que confundiram um atropelado com um ator pelado. Que Luciano Alves e seus correligionários de babação e fanatismo barato sirvam de exemplo nas eleições parlamentares de outubro. De minha parte, estou convencido de que o político só vale pelo que cumpre e não pelo que promete. A partir desse entendimento, parei de me decepcionar com a maioria deles. Prefiro as novelas mexicanas.
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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras