Hospital Regional de Santa Maria
Técnica de enfermagem alega “brincadeira” ao tentar fugir com bebê
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Uma técnica de enfermagem de 44 anos, identificada como Eliane Borges Tavares Dias Vieira, tornou-se alvo de investigação após tentar retirar um recém-nascido do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), no Distrito Federal. O incidente ocorreu na tarde do último sábado (28), mobilizando a segurança da unidade e a Polícia Militar. Em depoimento oficial, a profissional alegou que a ação não passava de uma “brincadeira” planejada para testar a eficiência do sistema de vigilância do hospital.
De acordo com o relato da suspeita à 33ª Delegacia de Polícia, a ideia teria surgido durante uma conversa com uma colega de trabalho. Eliane afirmou que abriu a porta do setor, caminhou alguns metros com a criança e, ao ser abordada por uma vigilante, sorriu e disse que a funcionária havia “passado no teste”. Ela sustentou que jamais teve a intenção real de levar o bebê para fora das dependências do hospital e que retornou voluntariamente para devolver o recém-nascido à mãe.
No entanto, o depoimento da vigilante que efetuou a abordagem apresenta uma perspectiva diferente. A segurança relatou que estranhou a conduta da técnica e que ela continuou andando mesmo após ser chamada repetidas vezes. A interrupção da caminhada só teria ocorrido quando Eliane percebeu a aproximação de uma segunda funcionária. Policiais militares que atenderam a ocorrência registraram que, no momento da abordagem policial, a técnica de enfermagem estava em prantos.
O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), responsável pela gestão da unidade, confirmou que a tentativa de retirada foi identificada e prontamente interrompida pelas equipes de segurança. O órgão ressaltou que segue protocolos rigorosos de controle em maternidades e que a conduta da colaboradora violou todas as normas institucionais. Como medida imediata, a profissional foi afastada de suas funções enquanto o caso é analisado administrativamente.
A defesa de Eliane, embora tenha optado por não se manifestar detalhadamente à imprensa, anexou ao processo judicial informações sobre o estado de saúde mental da técnica. Segundo os advogados, ela vive um quadro de “extrema vulnerabilidade”, sofrendo de depressão grave e transtorno do pânico. O histórico clínico aponta que ela chegou a ser afastada das atividades profissionais em julho de 2025, tendo retomado o trabalho apenas em janeiro de 2026 como parte de um processo de reabilitação.
Na esfera policial, o caso foi registrado como subtração de incapaz, crime que não admite fiança pela autoridade policial. Após a prisão, a técnica foi encaminhada para uma audiência de custódia, onde a Justiça decidiu por sua liberação mediante o cumprimento de medidas cautelares. Entre as restrições impostas estão a proibição de se aproximar a menos de 300 metros do hospital, o veto ao acesso a unidades neonatais e a proibição de manter contato com testemunhas.
Em nota oficial, o Iges-DF reafirmou seu compromisso com a proteção integral dos pacientes e informou que está colaborando plenamente com as autoridades policiais. O instituto destacou que possui equipes treinadas para lidar com fluxos de circulação em áreas sensíveis e que não tolera desvios de conduta que coloquem em risco a segurança de recém-nascidos e seus familiares dentro do ambiente hospitalar.
Felizmente, o episódio não trouxe danos físicos à criança. A recém-nascida e sua mãe receberam acompanhamento médico após o susto e tiveram alta hospitalar na tarde desta segunda-feira (30). O inquérito policial segue em andamento para apurar se a versão de “teste de segurança” é verossímil ou se houve, de fato, uma tentativa de sequestro interrompida pela agilidade da vigilância.