O preço do isolamento
Tarcísio despreza Kassab e vê favoritismo derreter em SP
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Se Tarcísio de Freitas entrou na disputa pelo governo de São Paulo acreditando que teria uma corrida tranquila, a mais recente pesquisa Atlas/Estadão tratou de esfriar esse otimismo. Fernando Haddad já ultrapassa a marca dos 40% das intenções de voto, um patamar que não apenas consolida competitividade, mas também sinaliza que há fôlego para crescer ainda mais. O resultado não é apenas uma fotografia do momento, mas uma tendência em formação. E, ao que tudo indica, o cenário pode ficar bem mais apertado do que muitos imaginavam.
Parte desse desgaste tem explicação política bastante concreta. O distanciamento de Tarcísio em relação a Gilberto Kassab pode custar caro, especialmente no interior paulista. O PSD, partido comandado por Kassab, é hoje a legenda com o maior número de prefeituras no estado de São Paulo, o que se traduz em capilaridade, estrutura e influência local. Nas eleições de São Paulo, isso costuma fazer muita diferença. Ignorar ou subestimar esse peso pode significar perder terreno justamente onde as eleições costumam ser decididas: fora da capital.
Para completar o cenário, Haddad ainda conta com um trunfo de peso: Geraldo Alckmin. Com sua longa trajetória e forte inserção política no estado, Alckmin tende a funcionar como um cabo eleitoral de grande relevância, especialmente entre eleitores mais moderados e no interior. Sua presença pode ajudar a quebrar resistências históricas e ampliar o alcance da campanha petista. Diante desse conjunto de fatores, o que parecia uma eleição previsível começa a ganhar contornos de disputa real.