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Pensamentos positivos

Eleitor pode evitar raio no mesmo lugar duas vezes

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

É um mito a afirmação de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Metaforicamente, a frase é usada para indicar que uma infelicidade ou uma desgraça natural, física ou política dificilmente ocorrerá novamente da mesma forma. Difícil, mas não impossível, tampouco improvável. Na forma de juras eternas de amor ao próximo e de lampejos democráticos, ele (o raio) pode sim cair duas ou mais vezes no mesmo lugar. Em algumas ocasiões, ele chega de caminhonete e explode em plena capital. Em outras, surge com atitudes semelhantes ao anterior, embora produzidas de formas diferentes e com palavras mais amenas.

Pouco importa, pois o raio é o mesmo. Por isso, antes que ele nos parta a todos, precisamos de fé, sorte, consciência, pensamentos positivos e, principalmente, de sentimentos verdadeiramente patriotas, de modo a evitarmos que o antigo e assustador furacão passe novamente por nossa vida. Mais do que tudo, temos de ter convicção de que não queremos viver o marasmo, a confusão e o caos que vivemos por dias, semanas, meses e anos em um passado nem tão distante.

O caminho para evitá-lo é diverso. Ele pode nos ser apresentado de maneiras, situações e jeitinhos variados. Os mais comuns são os bilhetinhos apaixonados, os recadinhos via redes sociais e os embargos auriculares. Entretanto, o mais conclusivo, definitivo e irrevogável é o voto. Ou seja, acreditando ou não em mitos, duendes e lendas, o raio com nome, sobrenome e CPF só cairá no mesmo lugar se a gente quiser. Os naturais, aqueles que desafiam a lógica, são outra coisa.

Resumindo a ópera e transformando o raio em alguma coisa com DNA ruim, assim como um raio não deve cair duas vezes no mesmo lugar, um erro não pode ser cometido duas vezes. Se isso acontecer, estará provado que poucos aprenderam com a primeira. É aí que volto a usar como minhas as sábias palavras de Pelé sobre a ausência de conhecimento de boa parte da população em relação ao voto. São aqueles que ouvem falar, mas não acreditam que o mendigo saudável é mais feliz do que o rei doente.

Esquecendo temporariamente a metáfora do raio, me valho do reuso do relativo às armas. A pouco mais de seis meses das eleições gerais, não custa lembrar que o voto é uma arma e não um produto. Se o colocarmos em mãos erradas, ele dispara contra nós. É de novo o raio nos partindo. Quem não se lembra de Mário Quintana metaforicamente informando que, assim como o uivar de lobos e o estrondo dos trovões, “os raios constituem o pano de fundo para as cenas de horror”.

Eu não quero vivê-las nunca mais. Prefiro o dia seguinte, quando o sol ressurge e se reinicia um novo ciclo. Amar temporais e defender tormentas é o mesmo que odiar a beleza divina do céu. Que os raios decorrentes daquela seita política partam para outras plagas e que permaneçam apenas como lembranças ruins. Hoje é primeiro de abril, dia do início da nova verdade eleitoral. A semente está plantada. Se a escondermos do raio que ameaça cair de novo, certamente teremos um fim diferente dos três insetos da metáfora da morte coletiva:  Com ódio da cigarra, a formiga votou no inseticida. O resultado? Morreram todos, inclusive o grilo que votou nulo.

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