Domingo ecumênico
No frigir dos ovos, cabe ao brasileiro garantir o seu pão de cada dia
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Amanhã, dia 5 de abril, o Brasil e o mundo comemoram a ressurreição de Jesus dentre os mortos. Também conhecido como o dia dos ovos, o santo Domingo de Páscoa precisa ser visto de forma ecumênica, isto é, sem religiosidade. Afinal, como ser magnânimo e único, em breve Deus mostrará que cada um de nós precisa estar antenado à expressão no frigir dos ovos, cuja conclusão depende de nossa vontade de entendê-la. Como leigo nesse negócio de ovos, parto do princípio de que não importa quem errou primeiro, mas sim quem consertou a situação.
Convenhamos, mas essa tarefa é rápida e não requer muito estudo. Basta comparar o antes com o agora. Sinônimo de, no fim das contas, o termo tem várias conotações. Entre elas, a mais comum é a que afirma que o sujeito que se dizia cheio de predicados, adjetivos e pronomes bonitos prometeu muito e nada cumpriu. Em síntese, a frase nos faz refletir sobre a importância de não confiar nem mesmo em algo aparentemente simples e nem sempre duro como os ovos.
Na minha humilde concepção, no frigir dos ovos, a única ideologia que cabe ao povo brasileiro é garantir o pão nosso de cada dia. Ou seja, temos de defender a ideologia que melhor atenda o nosso dia a dia. O resto é pura hipocrisia. Como não há como falar de ovos sem pensar na pobre da galinha, minha sugestão remonta às célebres fórmulas medicinais de nossas avós: Nunca conte com o ovo na cloaca da galinha. Em outras palavras, jamais sonhe com a omelete sem ter o ovo e nem a galinha.
E não adianta dar para trás. A conta normalmente é nossa. Preta, branca, marrom ou malhada, dona galinha põe 12 ovos, fica com aquilo ardido e o supermercado faz promoção por R$ 14,99. Resumindo, nunca é no deles. É sempre no nosso. E haja Páscoa para investimento em ovos. Pelo menos, os de chocolate só engordam depois que a gente abre a caixa e quebra o ovo no meio. Apesar de tudo, comam, comam e comam sem culpa.
Afinal, a Páscoa é o único dia em que comer chocolate sem culpa é uma tradição. Sem nove horas e temporariamente esquecendo as dúvidas políticas, a Páscoa chegou. Hoje é dia de um pacto de calorias: eu entro com os ovos e você abre a casca. Com o carinho que a data exige, diria que nem o coelho resistiu aos meus ovos. Por isso, o envergonhado e lépido bichinho pediu para que eu lhe entregasse os dele com um singelo recado: Eles são redondos, recheados e perfeitos para transformar sua Páscoa no melhor momento do ano.
Com o preço dos ovos de chocolate beirando os milhões, o coelhinho se antecipou e só deixou caquis em minha tunda. Uma pena! O pior é que, com os ovinhos pascoaes pela hora da morte, o coelho, estimulado pelo clã defendido pelos patriotas, virou investidor nos fundos recomendados por Donald Trump. Soube disso tarde demais. Se soubesse que o chocolate ficaria tão caro, teria feito estoque no Natal. Enfim, foi o que sobrou. Sobre pisar em ovos, o único que não merece ser chocado e nem idolatrado é o da serpente. Esse eu deixo para os baba-ovos de parasitas.
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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras
