Riacho Fundo II
Homem viaja para matar ex-companheira que possuía medida protetiva
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O Distrito Federal registrou mais um trágico episódio de violência de gênero na noite de sexta-feira (3). Bruna Stephanie Freitas Brandão, de 36 anos, foi brutalmente assassinada a facadas no Riacho Fundo II. O principal suspeito, seu ex-companheiro Elenilton Pereira Bezerra, de 37 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar logo após o crime, que choca pela premeditação e desrespeito às ordens judiciais.
A investigação, conduzida pela 27ª Delegacia de Polícia, revelou que a vítima vivia sob o amparo de uma medida protetiva de urgência. Bruna havia se mudado de Caldas Novas, em Goiás, para o Distrito Federal justamente na tentativa de se distanciar de Elenilton e reconstruir sua vida longe das ameaças. Segundo as autoridades, o agressor estava há cerca de um ano sem manter contato direto com a vítima antes do ataque.
O crime ocorreu quando Elenilton se deslocou de sua cidade natal, em Goiás, até a residência de Bruna no Riacho Fundo II. Ao chegar ao local, ele encontrou a ex-companheira acompanhada de um homem, ainda não identificado, e de um de seus filhos, uma criança de apenas dois anos de idade. O cenário de vulnerabilidade não impediu a agressividade do suspeito.
Utilizando uma faca de cozinha, Elenilton desferiu diversos golpes contra Bruna Stephanie. Após o ataque, o agressor fugiu do local, deixando a vítima gravemente ferida na presença da criança. O ato de extrema violência mobilizou vizinhos e as forças de segurança da região administrativa de forma imediata.
Socorrida por uma vizinha, Bruna foi levada às pressas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Riacho Fundo. Apesar do esforço médico e da agilidade no transporte, a gravidade dos ferimentos impediu a recuperação da vítima, que não resistiu e teve o óbito confirmado pouco tempo após dar entrada na unidade de saúde.
A Polícia Militar iniciou buscas intensas na região e logrou êxito em localizar Elenilton Pereira Bezerra. Durante a abordagem, o homem não ofereceu resistência e foi conduzido à delegacia. A faca utilizada no crime foi apreendida e passará por perícia técnica para auxiliar na composição das provas do inquérito policial.
Em depoimento ao delegado Josué Pinheiro, titular da 27ª DP, o agressor confessou ter atacado Bruna. No entanto, apresentou uma justificativa controversa, alegando que se sentiu ameaçado pela presença do outro homem no local. Elenilton afirmou ainda, em sua defesa, que não tinha a intenção de tirar a vida da ex-companheira, versão que confronta a brutalidade do ato.
Contradizendo a tese de falta de intenção, a Polícia Civil periciou o aparelho celular do suspeito. No dispositivo, foram encontradas diversas mensagens de texto contendo ameaças explícitas direcionadas à Bruna Stephanie. O conteúdo reforça a tese de crime premeditado e o histórico de violência psicológica que culminou no ataque fatal desta sexta-feira.
O caso foi formalmente tipificado como feminicídio consumado. Este qualificador do crime de homicídio é aplicado quando o assassinato ocorre por razões da condição de sexo feminino, envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo à condição de mulher. A pena para este tipo de crime é uma das mais severas do Código Penal brasileiro.
Elenilton Bezerra permanece à disposição da Justiça e deve passar por audiência de custódia nos próximos dias. O crime reacende o debate sobre a eficácia das medidas protetivas e a necessidade de monitoramento rigoroso de agressores que cruzam divisas estaduais para perseguir suas vítimas, deixando uma família destruída e uma criança órfã de mãe.