Óleo de peroba
Moro, o hóspede indesejado do PL
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Sergio Moro parece ter sido engolido pelo próprio discurso. O ex-juiz, que já foi alçado à condição de “herói nacional” no combate à corrupção, hoje se move como quem tenta sobreviver politicamente a qualquer custo. Rejeitado por boa parte da classe política do Paraná, inclusive por seu antigo partido, o União Brasil, acabou encontrando abrigo no PL, legenda que representa justamente o campo mais ideológico e radical que, em outros tempos, ele fingia não habitar. Não foi escolha estratégica, foi falta de opção.
Moro aceitou ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, apostando que conseguiria preservar uma imagem de independência. Não conseguiu. Saiu do governo denunciando interferência indevida na Polícia Federal e insinuando proteção aos filhos do então presidente, um rompimento que, à época, parecia definitivo. Mas a política tem dessas ironias cruéis: hoje, de volta ao mesmo campo político, Moro prefere o silêncio constrangido à coerência. Questionado sobre uma eventual interferência na PF em um possível governo de Flávio Bolsonaro, irrita-se, desconversa e muda de assunto. A indignação seletiva substituiu o discurso firme de outrora.
O que se vê é um personagem que perdeu o controle da própria narrativa. Aquele que se apresentava como guardião da moralidade pública agora evita perguntas básicas sobre autonomia institucional. O que mais incomoda não é a contradição em si, tão comum na política, mas a velocidade com que um “paladino” se transforma em caricatura. Triste fim para quem já foi vendido como símbolo de esperança e hoje não consegue sustentar sequer as próprias palavras.