Ceilândia/Brazlândia
Preso suspeito de matar testemunha de assalto ocorrido há uma década
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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) efetuou, nesta quarta-feira (8), a prisão de Kauã Geovani Monte de Souza. Ele é o principal suspeito de assassinar uma testemunha de um assalto ocorrido há 10 anos em Brazlândia. A captura aconteceu em Ceilândia, após uma operação coordenada pela 18ª Delegacia de Polícia.
A investigação aponta que o crime tem raízes em um roubo à residência ocorrido em 2015. Naquela ocasião, a vítima teve sua casa invadida e seus bens subtraídos, tornando-se peça-chave para o andamento do processo judicial que se seguiu nos anos posteriores.
Em 2016, durante uma audiência judicial, a vítima cumpriu seu papel cívico e reconheceu formalmente o autor do assalto. Esse ato de coragem, fundamental para a justiça, acabou tornando-se o estopim para uma vingança que amadureceu ao longo de uma década.
O reencontro fatídico aconteceu no dia 29 de março de 2026. De forma ocasional, a vítima e o autor do assalto de 2015 cruzaram caminhos em uma rua de Brazlândia. O encontro imediato gerou uma forte discussão entre os dois homens, revivendo traumas do passado.
Kauã Geovani Monte de Souza, identificado como amigo próximo do assaltante, estava presente no momento da discussão. Em vez de apaziguar o conflito, ele decidiu intervir de forma violenta em defesa do comparsa, escalando a situação para um desfecho trágico.
De acordo com o relatório policial, Kauã estava armado com uma faca no momento da briga. Ao perceber a intenção agressiva do suspeito, a vítima tentou fugir, iniciando uma perseguição desesperada pelas ruas do bairro Veredas, em Brazlândia.
O agressor alcançou a vítima após alguns metros de corrida. Sem dar chances de defesa, Kauã desferiu diversos golpes de faca contra o homem. Os ferimentos foram graves e levaram a vítima ao óbito ainda no local, antes mesmo de qualquer possibilidade de socorro médico.
A motivação do homicídio, segundo os investigadores da 18ª DP, está diretamente ligada à condição da vítima como testemunha no processo criminal anterior. O crime é tratado como uma represália clara ao depoimento prestado anos antes no tribunal.
Após o assassinato em março, a Justiça decretou a prisão de Kauã na última quarta-feira (1º). Desde então, agentes da Polícia Civil iniciaram uma força-tarefa para localizar o paradeiro do suspeito, que havia fugido da cena do crime original.
Foram seis dias de buscas intensas e monitoramento de inteligência. O trabalho dos policiais culminou na localização de Kauã em Ceilândia, onde ele tentava se esconder das autoridades. A prisão ocorreu sem resistência por parte do investigado.
A Polícia Civil reforça que o caso demonstra a periculosidade do suspeito e o desrespeito ao sistema de justiça. O ato de silenciar testemunhas é visto como um ataque direto ao Estado de Direito e ao trabalho realizado pelo Judiciário.
As investigações não foram encerradas com a prisão de Kauã. A 18ª Delegacia de Polícia continua os trabalhos para identificar se houve a participação ou o incentivo de outros envolvidos, incluindo o autor do assalto original, no planejamento da execução.