Sarjeta política
Guerreiros, venham a nós, e façam guerras sem sangue
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Seja nos campos de batalha ou na mente, a história do mundo é marcada por guerras, as quais normalmente são resultado da ganância e da intolerância humanas. Senhores das guerras, o norte-americano Donald Trump, o russo Vladimir Putin e o judeu Benjamin Netanyahu devem ter estudado na cartilha do jornalista, romancista e escritor britânico Henry Graham Greene, cuja máxima é de que tudo que existe no mundo tem algo a ver com o dinheiro. Nesse tudo, Greene incluiu a política, a guerra, o casamento, o crime e o adultério.
Especialista na abordagem de ambiguidades morais da vida no contexto de cenários políticos contemporâneos, o romancista jamais pisou em solo brazuca. Entretanto, talvez estimulado pelo chororô de Sônia Abrão nas análises sobre os paredões do BBB e relativas às mortes na Palestina, no Irã e na Ucrânia, o escritor parece ter cunhado sua tese pensando no Brasil da família Bolsonaro, a principal aliada de Trump e Netanyahu em toda a América.
Preocupado com o desejo incontido do clã pelo poder, inicialmente Graham Greene copiou a tese napoleônica e cravou que aquele que teme ser vencido tem a certeza da derrota. Pluralizando a frase, eles tiveram e têm pavor da derrota, principalmente porque, perdendo, estarão todos, ou quase todos, na sarjeta política. Pensando no lado esquerdo da moeda, provavelmente Greene se associou a Raul Seixas ao poetizar a respeito da avalanche de pesquisas detonando a recandidatura do cidadão que está cada vez mais próximo de sua quarta encarnação. “Não diga que a vitória está perdida, pois é de batalhas que se vive a vida”.
Também é de Napoleão Bonaparte a afirmação de que um líder é um vencedor de esperança. Eu diria um vendedor, que é o que o atual ocupante do Palácio do Planalto faz de melhor. É claro que estamos muito distantes do prazer bélico dos líderes dos Estados Unidos, da Rússia, de Israel e dos países do Oriente Médio. A grande diferença é que, sem o envolvimento dos quartéis, nossos maiores conflitos estão restritos ao entorno da Praça dos Três Poderes. Por aqui, tanto no front da política quanto na trincheira congressista em busca do poder, a suprema arte democrática da guerra é derrotar o inimigo sem lutar. Mais uma vez me valho das teorias da diplomacia para evitar batalhas. General, filósofo e estrategista chinês, Sun Tzu sempre defendeu a estratégia, a inteligência e a vitória sem combate.
Em seus escritos, Sun Tzu recomendava o autoconhecimento, a adaptação ao inimigo e o planejamento minucioso para vencer antes do conflito decisivo. Para o filósofo oriental eu viveu no ano 544 a.C, normalmente triunfam aqueles que sabem quando lutar e quando esperar. Portanto, Trump, Netanyahu, Putin e os aiatolás precisam passear pelo Brasil para aprender de que forma podem transformar a política em uma guerra sem derramamento de sangue. Considerando que a verdadeira batalha de um suposto guerreiro é a que ele trava consigo mesmo, o primeiro passo é demonstrar aparente inferioridade e provocar à exaustão a arrogância do inimigo.
Obviamente que o líder do progressismo democrático do Brasil gosta da paz. Todavia, ele não foge da guerra, embora prefira a oportunidade plena para brilhar. Afinal, como pregava Mahatma Gandhi, se for no olho por olho o mundo poderá acabar cego. Certo de que, quanto mais longa a jornada, maior é sua força, fecho com aquele que mentaliza o presente e mira o futuro até perceber que, se nada muda, ele muda e faz tudo mudar novamente. É com esse que eu vou até o dia 4 de outubro. Diante do exposto, resta dizer aos senhores da guerra que, no caso do Brasil dos brasileiros, mais vale um voto do Nordeste do que dois ou três da Papudinha.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978