Rússia abre o jogo
‘Trump deve esquecer o Irã e a Europa precisa combater o nazismo’
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Um dos objetivos da operação dos Estados Unidos no Irã era controlar o petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, neste sábado, 18. “Não creio que realmente houvesse planos para destruir a civilização. Acho que é apenas uma figura de linguagem. Mas os planos eram para controlar o petróleo que passa pelo Golfo Pérsico, pelo Estreito de Ormuz”, disse o chanceler russo no Fórum de Diplomacia de Antalya, na Turquia, que reúne dirigentes turcos, sauditas, paquistaneses e russos num debate sobre a situação no Oiente Médio e o quadro geopolítico. .
O problema palestino e a situação na Síria não devem ser esquecidos em meio à situação no Estreito de Ormuz, disse Lavrov. “Quando observamos o que está acontecendo no Estreito de Ormuz, não quero que percamos de vista a questão palestina. Aliás, há processos muito difíceis em curso na Síria”, frisou.
Não existe dependência unilateral nas relações entre Rússia e China, e os laços comerciais e energéticos são equilibrados, afirmou Lavrov. “Além dos setores de energia e petróleo e gás, temos uma cooperação muito desenvolvida com a China em energia nuclear, outras tecnologias avançadas, espaço e muito mais. Portanto, não vejo nenhuma dependência unilateral aqui”, observou.
Moscou tem muitas divergências com a atual administração dos EUA em relação a questões bilaterais e sanções, disse Sergey Lavrov. “Temos muitas divergências com a atual administração dos EUA em relação a questões práticas: nenhuma sanção foi suspensa desde a era Biden, nem mesmo os bens diplomáticos foram devolvidos, e nossas empresas já estão sujeitas a novas sanções”, sublinhou.
“Chegou a hora de conversar com os Estados Unidos sobre como os americanos enxergam o futuro das relações econômicas com a Rússia, acrescentou, salientando ser “praticamente impossível imaginar a França e o Reino Unido adotando uma abordagem construtiva em relação à Rússia neste momento”.
Lavrov também considera praticamente impossível esperar que franceses e britânicos adotem uma postura razoável neste momento. “Em seus discursos e declarações públicas — pelo menos os atuais, os que estão no poder em Paris, Londres, Berlim e Bruxelas — eles se colocaram em posições das quais não podem recuar sem uma completa perda de prestígio. Sem uma completa perda da confiança de seus eleitores. Sem se exporem como totalmente indiferentes ao futuro de seus países”, disse.
Sergey Lavrov afirmou também que a OTAN não está atualmente em sua melhor forma, ressaltando que a Rússia não interfere nos assuntos internos da aliança. “A OTAN não está nas melhores condições — acho que todos podemos reconhecer isso. No entanto, não interferimos nos assuntos internos da OTAN”, disse.
Outra preocupação que ninguém quer enxergar, acrescentou, é que “elementos da ideologia nazista estão ressurgindo em alguns países europeus, como a Alemanha ea Finlândia. Não é coincidência que os países que mais apoiam a Ucrânia hoje sejam aqueles onde o nazismo está sendo abertamente revivido. Isso inclui, infelizmente, países como a Alemanha e a Finlândia. E o Reino Unido nunca esteve muito distante da filosofia nazista”, finalizou Lavrov.
