Primeiro passo
Brasil só muda quando eleitor esquecer ideia de um político de estimação
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O pior cenário para uma nação em desenvolvimento é quando pelo menos um terço de sua população perde a razão. Beira o caos quando se descobre que nos demais terços também há cidadãos e cidadãs loucos para que o circo pegue fogo. É a política partidária de nossos dias. Líderes de legendas contrárias ao governante maior, também conhecidos por toparem tudo pelo poder, só esquecem de um detalhe: a lona é a mesma que cobre toda a plateia brasileira. Lembra aquela história dos irmãos siameses. Um deles se declarou gay e outro se manteve hétero. O problema é que, embora tenham dois corações, o engolidor de cobras é o mesmo.
Sem condição de despertar sentimento patriótico algum no eleitorado sem cabresto, os atuais 584 congressistas, com raríssimas exceções, estão na fila para indicação ao livro de piores parlamentares de todos os tempos. Por enquanto, a dificuldade é saber quais serão os primeiros da lista. Tudo indica que, hoje, amanhã ou no fim de 2026, as páginas iniciais do Guiness Book estamparão os idiotas úteis, aqueles que ainda não sabem como atuam deputados e senadores.
Devedores da Justiça, a maioria acha que, sem comando ou comando de tartaruga manca, eles permanecerão livres. E não estão errados. Por isso é que, objetivamente, foram eleitos para tentar criar um Brasil sem dono, sem limites e com fartura de picaretas. Os homens públicos desse naipe atingem orgasmos múltiplos sempre que conseguem dividir os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos. Vivem para ver bons amigos se tornando inimigos por defenderem políticos ruins, maldosos, pobres de espírito, parvos e despreocupados com o bem maior de um país: o povo.
Como diriam os antigos políticos, incluindo os que adoravam a posição de sentido, isso é digno de registro nos anais. Resta saber de quem. Elixir mais barato para alívio das dores do físico, do coração e da consciência, a união e a solidariedade estão contaminadas pelo ódio de parte a parte. Estamos próximos do fim do caminho, do resto do toco. Os indicadores apontam para uma direção sem volta. As hipóteses de controle do dissenso parecem inexistentes.
Cristalino é o consenso a respeito de que o pau que dá hoje em Chico dará amanhã em Francisco. Em outras palavras, do mesmo jeito que a direita atual se recusa a aceitar a esquerda no poder, a esquerda de amanhã não só rejeitará, mas fará tudo para interditar uma eventual vitória da direita. Isso só não ocorrerá se houver uma ruptura sangrenta. Aí, dependendo das reações externas, voltaremos facilmente à Idade da Pedra, o que, convenhamos, não interessa a ninguém com algum neurônio.
Aliás, a falta de neurônios é que transformou o terço mais perdido em vassalos ou fantoches de malandros agulha. O que todos deveriam entender é que pouco importa a existência da esquerda, da direita, dos radicais ou dos conservadores na política. Importante é que eles não a estraguem. Qual a relevância da ideologia à direita ou à esquerda para o patriotismo ou para o progresso nacional? Nenhuma. Relevante é que todos somos brasileiros. Ainda mais relevante é a consciência política e a inteligência sem adestramento. Sejamos a mudança que desejamos para o Brasil. O primeiro passo é não ter políticos de estimação.