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Farol do Severino

Histórias de ET’s não envolvem apenas aquela turma que usava lanterna

Publicado

Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto Editoria de Artes/IA

Há no cancioneiro popular histórias e estórias das mais variadas sobre objetos voadores não identificados (Ovnis). De tão estapafúrdias, algumas são hilárias. A maioria é engraçada. Conheço casos pitorescos, mas nada tão emblemático e autoexplicativo do que os contatos entre determinados brasileiros e extraterrestres. Quem não se lembra de um vídeo publicado nas redes sociais em novembro de 2022 mostrando “patriotas” apontando flashs para o céu e pedindo “ajuda” aos companheiros de outras galáxias.

O mundo paralelo dos simpatizantes de uma certa ideologia foi confirmado por um coronel da PMDF durante uma das muitas CPIs para as quais ele foi convocado. O contato teria ocorrido em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília, onde um ET infiltrado jurou ao policial militar que iria ajudar o Exército a tomar o poder do então presidente eleito. A piada encheu a cabeça dos doidões e correu o mundo dos sérios. Nada tão famoso como o ocorrido em fevereiro de 1982, quando o piloto Gerson Maciel de Britto, comandante do voo 169 da extinta Vasp, afirmou ter avistado um objeto voador luminoso.

Ele relatou o fato aos 150 passageiros que foram para as janelas tentar ver o tal objeto, mas nada viram. Conforme o comandante, o trem foi visto pela primeira vez por volta das 3h da madrugada, momento em que o avião sobrevoava o Estado da Bahia, e acompanhou a aeronave até pouco antes do pouso no Rio de Janeiro. Apesar da credibilidade do piloto, os radares não detectaram sinal algum próximo do avião. Segundo relatos, o que se via pelas janelas do lado esquerdo do avião era uma luz muito forte, que se aproximava e se afastava do avião, mudando de cores entre laranja, branco, azul e vermelho.

Conforme o comandante da Vasp, o “Ovni” também teria sido visto pela tripulação de uma aeronave das Aerolíneas Argentinas e outro da TransBrasil. “Eu sinalizei várias vezes os faróis do avião, inclusive os das asas, para tentar um contato com eles. O que pude identificar como resposta foi somente a aproximação bem acentuada da aeronave, tão acentuada a ponto do radar do aeroporto de Brasília ter detectado esse objeto a oito milhas do nosso avião”, disse o comandante ao Jornal Nacional. O caso do vôo 169 da Vasp até hoje intriga estudiosos de ufologia no Brasil.

No entanto, nunca houve uma conclusão que pudesse comprovar se a luz vista pelo comandante e pelos passageiros era um fenômeno natural ou realmente a presença de um objeto voador não identificado. Pelo sim, pelo não, eu também tenho uma história a respeito. Seguia para o Rio de Janeiro pela BR-040 quando, de repente, fui despertado por um forte clarão saindo do interior do cerrado. Metido a ufólogo de beira de estrada, me embrenhei na mata tentando um contato imediato de qualquer grau. À medida que me aproximava da luz, chamava pelo desconhecido: – Quem está aí? Câmbio, aqui é o Wenceslau da terra chamando.

Responda, companheiro. Wenceslau da terra chamando, câmbio. Após várias tentativas, fiquei tête-à-tête com a intensa luminosidade. Eram os faróis de um imenso e colorido ônibus de passageiros. Mesmo ofuscado pelo brilho das luzes, busquei uma última conexão: – Câmbio, aqui é Wenceslau da terra chamando. Entre perplexo, aborrecido e frustrado, ouvi do interlocutor o que jamais imaginei ouvir: – Fala, meu caro. Aqui é o Severino da Itapemirim cagando. Nada mais perguntei. Esta é a história de um homem que procurava um Ovni e só encontrou um motorista dejetando no mato da BR-040.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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