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Picles

Sete fragmentos de abobrinhas

Publicado

Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Foto Francisco Filipino

1. “O daltônico”

ELA: “Sendo dois, nós seremos um, seremos mil. Libertaremos sons pagãos de Hermeto à Zappa, passando por Villa Lobos e mergulhando em Schönberg. Cores fortes de Kahlo, Picasso ou Kandinsky; Almodóvar, talvez? As noites, agora, serão curtas. Nunca mais brancas ou pretas, vermelhas ou azuis, verdes ou amarelas; extravagantemente coloridas.

ELE: “Eu sou daltônico, benzinho, lembra?”.

O dia amanheceu com um estranho arco-íris engolindo a cidade.

2. “Boa noite, Boa sorte”

O dedo toca o corpo / a alma sente

A boca louca e o abraço / beijo ardente

O dedo toca a tela / a alma ausente

O surto e o surto e o surto / anti-gente

A vida agoniza / indigente

Urgente!

3. “Teias”

Todos os olhos

Todos os poros

Todos os ritmos

Todos os algoritmos

Todos os bits

Todos os micros

Todos os faros

Todos os polos

Todos os fios

Todas as veias

Tudo engrenagens

Todas as teias

4. “Brumadinho: … e dá para esquecer?”

Falar. Falar o quê?

Silêncio. Silêncio de nó

Aquele nó que nos engasga

Estúpidos de todos os matizes

Tristeza e lama e mais nada

Tragédia anunciada

Justiça? Quando?

Novamente e até quando?

Súbito, o corpo inerte do filho/homem surge da lama

Esperança, sopro de brisa capaz de acalentar

a interminável madrugada que desabou

5. “Truco em Brasília”

Jogador 1: “Truco, safado!…”

Jogador 2: “Seis, cachorro!…”

(A galera berra e baba e twitta febril)

Jogador 1: “Nove é formação de quadrilha!”

(Alguém grita:)

“SUJÔ!!!!… POLÍCIA!!!!”

(Silêncio no recinto)

E a noite cai sobre o Congresso Irracional

Brasília e o Brasil dormem

E segue o jogo…

6. “Zás!”

Cérebro vagabundo, indefinível miolo circulador de galáxias. O chefe apita o trem. A dor rompe o limite, desanda. Trilha de sangue no trilho de aço. O salto de verniz negro espelha o sangue; o mundo espreita: menino moído sobre dormentes. Trilhos escarlates. Pernas trêmulas sobem o último degrau. Tranco. Estrondo. Vertigem. Vagões em movimento. Obsessão por histórias essenciais. É hora de reinventar contos para a mulher de rendas sobre pernas/sobre saltos/Sobressalto: Sabe que eu gosto muito de… Zás! Súbito, o homem vomita adjetivos pela janela.

7. “Portas de banheiros”

“Cego é o nó, pois nem se enxerga”

“Juntem os gravetos e toda a madeira podre do reino: as fogueiras já estão acesas!”

“A vida é um intrincado processo químico/cultural. A alma e os dias, a gente tem que preencher com curiosidade e prazer”

“Um dia a gente aprende a conviver com uns, a sobreviver sem outros e a suportar a todos.”

“O caldeirão “humano”, uma sopa de infinitos morcegos, cassandras e salamandras; veneno potente em doses para mamute”

“Chocado? Já não fico não. Profundamente enjoado e enojado: FICO SIM!”

“Jabutis não sobem em árvores e tubarões não usam coleiras”

……………………….

Gilberto Motta é escritor, jornalista e garimpeiro de fragmentos na imensa bolha-abobrinha digital. Vive na vila de pescadores da Guarda do Embaú, litoral de SC.

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