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A crueldade do retrocesso

Trabalho infantil não é solução, é fracasso civilizatório

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@donairene13 - Foto de Arquivo

No Brasil, a principal causa de evasão escolar, principalmente entre jovens do sexo masculino, é a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar. Os dados do IBGE, por meio da PNAD Contínua, escancaram essa realidade. Não se trata de falta de interesse, disciplina ou “valores”, como gostam de repetir certos setores. Trata-se de pobreza. Trata-se de desigualdade estrutural. Trata-se de um país que ainda empurra seus filhos mais vulneráveis para o mercado de trabalho antes mesmo de lhes garantir o direito básico à educação.

Justamente por isso causa indignação ver figuras públicas como Romeu Zema defenderem o trabalho infantil como se fosse uma solução legítima. Não é. Nunca foi. E não há retórica que consiga maquiar esse retrocesso. Em pleno Dia do Trabalhador, quando o mundo deveria reafirmar o compromisso com direitos e dignidade, naturalizar o trabalho precoce de crianças e adolescentes é inverter completamente o sentido histórico da data. É transformar uma luta por direitos em um discurso de resignação. É dizer, nas entrelinhas, que o problema não está na desigualdade, mas na própria infância.

Combater o trabalho infantil não é uma pauta ideológica, é um marco civilizatório. Sociedades que avançaram entenderam que infância é tempo de aprender, se desenvolver e sonhar, não de carregar o peso da sobrevivência familiar. Aceitar o contrário é institucionalizar a desigualdade. E o Brasil precisa decidir, com urgência, de que lado da história quer estar: o da proteção integral das suas crianças ou o da perpetuação de um ciclo que condena gerações inteiras à exclusão.

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