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Família família, política à parte

Terapia eleitoral fará povo eleger o melhor nome para conduzir o destino do país

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Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo/Valter Campanato

Ainda não fui, mas, dependendo do resultado das urnas em outubro deste ano, nas eleições de 2030, caso esteja vivo, com certeza irei procurar um terapeuta. Quem sabe um psiquiatra. Talvez um babalorixá apolítico.  Essa possibilidade começou a se formatar em 2018, quando o improvável acabou vencendo a normalidade. Eu nunca tinha ouvido falar de mitos na política nacional. Também desconhecia a forma de transformar arroubos desconexos, agressivos, ofensivos e divisionistas e mentiras verdadeiramente mentirosas em técnica de convencimento do eleitor.

Passados alguns bons pares de anos, descobri quase sem querer que Pelé estava coberto de razão quando singelamente declamou a célebre frase: “O brasileiro não sabe votar”. E sabe? Se soubesse, certamente debateria como norma emergente a alternância democrática de poder e não o golpismo. Se soubesse, jamais veria e apoiaria com a normalidade dos loucos o desejo de uma minoria sórdida de derrubar com ferocidade aquele que ascendeu pela terceira vez graças aos votos da maioria. Saber votar é eleger quem pensa nos interesses da nação e não de si mesmo e da família.

Por mais que se questione, em qualquer lugar do mundo os anti-heróis de vez em quando tentam desbancar os adversários sem condição de governança e com clara incapacidade de gestão. Não foi o caso do Brasil de 2022, quando a tentativa pós-eleição foi exatamente o contrário. A proposta insana, indecorosa e antidemocrática era apenar do poder justamente um mandatário que, apesar de todos os perrengues e senões, dava conta do recado. Tanto que, contra meio mundo, foi o único até a hoje a subir três vezes a rampa do Palácio do Planalto. Está buscando a quarta.

E por que o terapeuta? É porque não consigo mais passar mal de quatro em quatro anos e sempre em outubro. Será que estou doido ao encontrar tantas pessoas tristes desaprendendo como conversar? Algumas não olham mais o vizinho de frente. Às vezes, tenho a impressão de que os eleitores em fila indiana estão carregando os pecados do mundo. Ainda bem que, após uma gestação presidencial carregada de desconfianças, encontrei alguém que pudesse merecer um novo voto de confiança e que me fizesse acordar para a possibilidade de um longo período de esperança.

Deus me livre voltar à senzala política ou ao aquartelamento intelectual. Deus me livre de votar em quem só me fez sofrer do mal da desgovernança. Se precisar, faço o X, o S, o L e o Z. Só não peçam para fazer o B ou F. Talvez haja necessidade do terapeuta apenas para eu ter a certeza de que quase morri, mas passo bem. Tudo isso depois de ver gente, como gado novo, apoiando e admirando a ululante obviedade chamada de piada administrativa. Como explicar tal coisa? A ignorância pode ter lógica, mas não tem explicação. É ser porque quer. Simples assim.

Sem medo de errar, busco em Nélson Rodrigues inspiração para reafirmar que toda unanimidade é burra. Fecho com ele, principalmente quando o tema em mesa é a política. Não há hipótese de consenso entre situação e oposição. Desde que não façam como está fazendo o senador Davi Alcolumbre, transformando adversários em inimigos, é bom que seja assim. Baseado em avaliações de um lado e de outro, afirmo não haver termo de comparação entre a inteligência política de um e a inteligência artificial de outro. Como o eleitor brasileiro está preocupado somente com o candidato que fala ao pau, até aí só enterraram o Neves. Davi Alcolumbre talvez seja o próximo.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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