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Iluminados

Cascatinha e Inhana: os sabiás do sertão

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Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Foto Divulgação

Falar sobre eles para mim é uma questão pessoal e pública.

Pessoal: São meus padrinhos de batismo e amigos de meus pais – de dividir sanduíche no largo do Paysandu em SP – nos tempos das “vacas magras”, 1947.

Público: Formaram a maior dupla sertaneja autêntica e raízes de todos os tempos. Elis Regina disse nos anos 60: “Inhana é a maior cantora do Brasil e do mundo que eu ouço desde menina”

Convivi com eles ao longo de minha infância. Vinham várias vezes por ano dar espetáculos no Circo Teatro Motinha e Nhá Fia, de meus pais e minha casa (e mundo) até os 8 anos.

Espetáculos inesquecíveis onde eu e meu mano Mário representávamos a dupla de palhacinhos, Pernalonga e Esticadinho, na primeira parte das sessões, invadindo o picadeiro e o coração das gentes das pequenas cidades lá no interior do estado de São Paulo.

Na segunda parte do espetáculo, a peça teatral encenada por nós (meus pais, tios, tias, primos e primas e os artistas contratados pela companhia).

E na terceira parte o Show Radiofônico, no palco ao vivo comandado por meus pais, Mário e minha mãe, Nair que, formaram uma das grandes duplas caipiras humorística/sertanejo do rádio nos anos 40 e 50 e do circo teatro brasileiros.

Em toda praça – nome que dávamos para a cidade onde o circo estava em função – papai e meu tio Salim, sócios, iam à capital SP e contratavam os artistas de destaque que faziam sucesso especialmente no rádio paulista (rádio Record e Bandeirantes). E Cascatinha e Inhana eram obrigatórios, pelo talento, sucesso e pela amizade e amor que sentíamos uns pelos outros.

Afeto: além de ídolos, eram AMIGOS SINCEROS e foram para sempre.

Cascatinha e Inhana fazem parte da cultura popular rica e linda do Brasil.

Prestem atenção: pesquisem no youTube e em outros canais de música na internet e encontrarão tudo sobre eles. Discografia, histórias e vídeos completos.

Será amor à primeira vista para as gerações que não os conheceram, e jamais se esquecerão.

Na tarde de 11 de junho de 1978, no bairro do Ipiranga onde morava na capital de São Paulo, minha madrinha Inhana, aos 58 anos, saiu da cabeleireira e ao atravessar a rua sofreu um infarto fulminante.

CEMITÉRIO DO MORUMBI SP: enterramos a madrinha com uma multidão de fãs cantando todos juntos, Índia, Cafezal em Flor, Rancho Fundo, Recordando e tantos sucessos eternos e, claro, na descida do para o descanso merecido a música cantada foi Meu Primeiro Amos:

“Saudade, palavra triste quando se perde um grande amor / Na estrada longa da vida / eu vou chorando a minha dor / Tal qual uma borboleta vagando triste por sobre a flor….
Meu primeiro amor…”

Segui pela vida sem jamais esquecer o amor e o talento dela.

Francisco dos Santos (CASCATINHA, 1919-1996) e Ana Eufrosina da Silva Sanyos (INHANA, 1923-1981).

A Madrinha INHANA, a meiguice, o talento e o amor em pessoa iluminada.

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Sugestões:

* 131 vídeos/canções de Cascatinha e Inhana: https://youtu.be/dZHrtEYDTgc?si=jQh2JOt0NOzxdvCJ

* Vídeo histórico, programa ENSAIO, Cascatinha e Inhana na TV Cultura SP, 1973: https://youtu.be/Ad1Op52uvIs?si=CKwMk_-Hte00I116

Gilberto Motta é escritor, jornalista e que tem saudades da caneca de café com leite com a qual minha madrinha Inhana me acordava quando vinha com o padrinho Cascatinha fazer show no nosso circo. Vive na Guarda do Embaú SC.

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