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Falando com o povo

Mulheres de verde fecham com Grass e escanteiam Arruda pra longe do Buriti

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Autor/Imagem:
Pimenta Filho - Foto Divulgação

O cenário político do Distrito Federal para 2026 começa a ganhar contornos menos previsíveis e mais simbólicos. Enquanto partidos ainda enfrentam dificuldades para cumprir a cota mínima de 30% de candidaturas femininas, o Partido Verde (PV) caminha na direção oposta: sobra de mulheres interessadas em disputar vagas proporcionais e um protagonismo crescente que pode influenciar diretamente a corrida ao Palácio do Buriti.

Nos bastidores da federação que reúne PV, PT e PCdoB, a leitura é que a força feminina organizada pode se tornar um ativo estratégico na tentativa de impulsionar o projeto majoritário liderado por Leandro Grass e consolidar uma alternativa competitiva no campo progressista, ao mesmo tempo em que isola figuras tradicionais como José Roberto Arruda. Mesmo porque, elas são verdes de partido e maduras em política.

O fenômeno dentro do PV brasiliense chama atenção pela qualidade e diversidade dos quadros. Entre os nomes que ganham musculatura política estão perfis com trânsito institucional, capacidade de mobilização e inserção em pautas contemporâneas.

É o caso de Rayssa Tomaz, jornalista e atual Secretária de Comunicação do PV-DF, que alia experiência partidária a articulações nacionais e internacionais. Com passagem por disputas eleitorais anteriores, surge como peça-chave na engrenagem comunicacional da legenda, em um momento em que narrativa e presença digital pesam tanto quanto palanque.

Outro nome que emerge com densidade é o de Dora Gomes, consultora em planejamento estratégico e relações institucionais. Sua atuação voltada a projetos de impacto social, somada à participação em iniciativas como o Instituto É Possível e o Comitê de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil, reforça o eixo temático que o PV pretende explorar: justiça social, equidade e sustentabilidade.

O excesso de candidaturas femininas, longe de ser um problema, transformou-se em um dilema positivo para a legenda: como acomodar tantos perfis competitivos em um número limitado de vagas. A disputa interna, neste caso, não é por sobrevivência política, mas por seleção de quadros — um luxo raro no atual ambiente partidário.

Esse movimento se conecta diretamente ao lançamento das pré-candidaturas majoritárias da federação, marcado para 19 de maio, quando Leandro Grass e Erika Kokay devem oficializar seus projetos. A expectativa é de que a base feminina do PV funcione como vetor de capilaridade eleitoral, especialmente em segmentos urbanos, eleitorado jovem e pautas identitárias.

Na prática, o que se desenha é uma mudança de eixo: mulheres não apenas compondo chapas, mas estruturando campanhas, definindo agendas e ocupando espaços de poder. Em um eleitorado onde o voto feminino é majoritário, essa reorganização pode produzir efeitos concretos nas urnas.

Para adversários mais tradicionais, o recado é direto. O avanço de uma militância feminina organizada, com discurso alinhado a temas contemporâneos e presença ativa nos territórios, tende a dificultar estratégias baseadas apenas em recall eleitoral ou capital político acumulado.

No tabuleiro de 2026, as “mulheres de verde” deixam de ser coadjuvantes e passam a atuar como engrenagem central de um projeto que busca não apenas eleger nomes, mas reposicionar forças no Distrito Federal. O impacto real desse movimento ainda será medido nas urnas, mas, por ora, já altera o jogo e o tom da disputa na capital da República.

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