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Mulheres

Sexo frágil, não!

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Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Texto e Foto

*Recebi essa pesquisa com um texto delicioso e reescrevi. Compartilho com vocês:

Na “Terra de Bravos” (sic!), os EUA lá da formação, entre os cherokee, uma mulher não precisava pedir permissão para encerrar uma vida que já não queria mais compartilhar.

Se decidisse se separar, podia colocar os pertences do marido para fora de casa. Esse gesto bastava para marcar o fim do casamento.

Não era apenas um costume doméstico. Era o reflexo de uma sociedade em que o lar, a terra e a continuidade da família estavam profundamente ligados à mulher.

O povo cherokee não seguia a lógica europeia do sobrenome paterno e da propriedade masculina.

Sua organização era matrilinear: os filhos pertenciam ao clã da mãe, a herança passava pela linha feminina e, ao se casar, o homem geralmente se integrava ao lar da esposa. A mulher não era uma figura secundária dentro da família. Era raiz, centro e continuidade.

E seu poder não se limitava à casa.

As mulheres cherokee cultivavam, distribuíam alimentos, sustentavam grande parte da economia comunitária e podiam ter voz em decisões importantes — inclusive em assuntos de guerra e paz.

Não era uma igualdade perfeita nem uma sociedade sem conflitos, mas era um mundo onde o poder feminino tinha um lugar reconhecido, visível e respeitado.

Foi exatamente isso que chocou muitos colonos europeus.

Eles chegaram com uma visão muito diferente de família, propriedade e autoridade.

Para eles, um sistema em que as mulheres mantinham terra, linhagem e poder de decisão era desconfortável — quase inaceitável.

Com o avanço colonial, leis, religião e estruturas impostas passaram a empurrar as mulheres cherokee para uma posição mais subordinada, tentando substituir sua autoridade tradicional por um modelo dominado por homens.

Mas não conseguiram apagar completamente essa memória.

As mulheres cherokee continuaram sustentando a língua, a cultura, a família e a resistência. E sua história nos lembra de algo poderoso: houve povos em que a autoridade feminina não era uma ameaça nem uma exceção — era parte natural do equilíbrio da comunidade.

Antes que outros falassem de igualdade como um sonho distante, elas já viviam uma forma real de poder compartilhado.

2026

E o que vemos nos dias atuais?

Misoginia, feminicídio, toda forma de violência física e simbólica contra as mulheres numa sociedade que se diz “civilizada”.

É hora de olhar para modelos “antigos” que, na verdade, já estavam séculos à frente enquanto respeito, igualdade de direitos e valorização das mulheres.

O mais, nada mais que passar paninho na cabeça de macho-alfa criminoso e sem vergonha na cara.

……………………………….

* Fonte: Estudos Históricos:
https://www.facebook.com/100070328529501/posts/1037829025238039/?rdid=9IKPaAEoVdEBKkua#

Gilberto Motta é escritor, jornalista, pesquisador. Vive na comunidade da Guarda do Embaú, litoral de SC.

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