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'O Cara' é 'Dinâmico'

Lula afasta dedômetro trumpista das urnas

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Misael Igreja - Foto Ricardo Stuckert

Demonizado como mandatário, como candidato e como cidadão pela direita, principalmente pela extrema-direita brasileira, Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido nessa quinta-feira (07) por quase três horas pelo mister republicano Donald Trump. Após um encontro sorridente, regado a sorrisos, bife com purê de feijão preto e longas conversas sobre comércio bilateral e tarifas, o Satã tupiniquim deixou a Casa Branca sob elogios do Deus da mais poderosa nação do mundo. Sem a protocolar entrevista de fim de reunião, Trump se limitou a uma nota, por meio da qual disse que Lula é “muito dinâmico”.

Com todo respeito à necessidade de os extremistas se dirigirem ao líder do petismo como comandante de uma “guerrilha” política, o dinamismo sugerido por Trump não é novidade para a maioria da sociedade brasileira. Dinâmico, sério e com competência muito acima daquela que simpatizantes do conservadorismo tentam chamar de sua e, por consequência, impor ao eleitorado mais leigo, Lula parece ter deixado de ser o maior inimigo da direita norte-americana.

Certamente que Lula ainda não é o melhor amigo do magnata Donald Trump. Entretanto, embora o presidente dos EUA não tenha prometido fazer o L, tudo indica que as eleições presidenciais de outubro estrarão livres do dedômetro trumpista. Melhor assim, pois, sem interferência incômoda, intervenção maldita ou tentativas escusas de vitória antecipada e no grito, vencerá aquele candidato com mais empatia com o distinto público brasileiro.

Com o pote até o topo de afagos, Lula, por enquanto, enfrenta adversários opacos, insossos e do tipo copo vazio, conforme avaliação de representantes da campanha progressista. Até agora, o outro lado permanece se valendo exclusivamente dos números divulgados por pesquisas favoráveis ao postulante da direita. Sem entrar no mérito, o que interessa são os dados da região que elegeu Luiz Inácio em 2022 e que se mantém ativa e fiel ao líder do PT.

Refiro-me ao Nordeste, cujo eleitorado quase foi impedido de votar na eleição passada. Guardadas as más lembranças, o fato é que, apesar do trabalho encomendado pela direita ao senador Davi Alcolumbre (União-AP), em um eventual segundo turno, Lula lidera com larga margem em dez estados, entre eles Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Pernambuco, Ceará, Bahia e parte de São Paulo.

Positivo, operante, com boa química e, agora, dinâmico, Luiz Inácio disputará as eleições contra a trupe extremista certo de que está livre de apertos de mão de urso e abraços de tamanduá em futuros encontros com Donald Trump. Aparentemente consolidada a relação amistosa entre Brasil e Estados Unidos, resta aparar algumas arestas diplomáticas, comerciais e energéticas. Diante desse novo cenário de convergências, falta somente o presidente brasileiro convidar o colega norte-americano para um convescote regado a frutos do mar. Quem sabe lula com pequi!

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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