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Dr. Leo

Cinomose Canina: uma doença terrível que ameaça os cães

Publicado

Autor/Imagem:
Leonardo Bernar - Foto Francisco Filipino

A saúde dos nossos animais de estimação é uma prioridade para qualquer tutor, mas existe uma ameaça silenciosa que exige atenção redobrada: a Cinomose Canina. Esta é uma doença viral altamente infectocontagiosa que afeta cães de todas as idades, sendo especialmente perigosa para aqueles que ainda não completaram o ciclo de vacinação ou que estão com a imunidade baixa.

O grande vilão por trás dessa enfermidade é o Morbillivirus, um agente da família Paramyxoviridae. Apesar de ser extremamente agressivo dentro do organismo do animal, o vírus tem uma fraqueza: ele é sensível ao calor e a desinfetantes comuns. Isso significa que a higiene do ambiente é uma arma importante, mas não a única, no combate à propagação da doença.

Muitos tutores ficam assustados ao ouvir o diagnóstico, mas é importante esclarecer um ponto fundamental: a Cinomose não é uma zoonose. Em termos simples, isso significa que a doença não passa do cachorro para o ser humano. O risco é exclusivo dos canídeos, mas, entre eles, o índice de letalidade é altíssimo, o que a torna uma preocupação constante para veterinários.

A transmissão ocorre de forma muito fácil, principalmente por duas vias: o contato direto ou pelo ar. No contato direto, o cão se infecta ao tocar secreções de animais doentes, como urina, fezes ou remelas. Além disso, objetos compartilhados, como potes de comida, casinhas e cobertores contaminados, servem como pontes para o vírus encontrar um novo hospedeiro.

Já a transmissão aérea é ainda mais sutil. Basta que o cão respire o ar onde um animal doente espirrou ou apenas respirou para que a infecção aconteça. Isso torna os passeios em locais públicos um momento de risco para animais não vacinados, já que o vírus pode ser deixado para trás por um cão que passou por ali momentos antes.

Os filhotes são as maiores vítimas da Cinomose, pois possuem um sistema imunológico ainda em formação e muito frágil. No entanto, cães adultos que não recebem o reforço anual da vacina também estão na linha de frente do perigo. Por isso, a prevenção é um compromisso que deve durar a vida toda do animal.

Ficar atento aos sinais clínicos é crucial para salvar a vida do pet. Os primeiros sintomas geralmente incluem uma apatia profunda, perda de apetite e febre. Com o avanço da doença, o cão começa a apresentar secreções oculares (aquela remela em grande quantidade) e secreções nasais purulentas, que parecem um resfriado forte.

Além dos problemas respiratórios, o sistema digestivo também sofre, causando vômitos e diarreia. Um sinal muito característico da Cinomose é a hiperceratose, que é o endurecimento e ressecamento excessivo do nariz e das “almofadinhas” das patas (coxins). Em alguns casos, erupções na pele do abdômen também podem surgir.

O estágio mais temido da doença é quando ela atinge o sistema neurológico. Nessa fase, o animal pode sofrer convulsões e mioclonias, que são espasmos musculares involuntários conhecidos como “tiques”. Em casos graves, ocorre a paralisia devido à degradação dos neurônios, deixando sequelas permanentes mesmo que o cão sobreviva.

Uma curiosidade importante sobre os cuidados paliativos é que muitos cães infectados ficam com as pupilas dilatadas e sensíveis. Os especialistas recomendam manter o animal em locais com pouca luz para evitar danos à retina, o que poderia levar à cegueira definitiva. O conforto do pet é essencial durante o enfrentamento da virose.

O diagnóstico nunca deve ser feito apenas “pelo olho” do tutor; ele exige a perícia de um médico-veterinário. O profissional realizará exames laboratoriais, como o PCR (que identifica o DNA do vírus) ou radiografias, para confirmar a presença do invasor e determinar em qual estágio a doença se encontra para iniciar o suporte adequado.

A Cinomose é tratável, desde que haja supervisão médica profissional. É um momento difícil que exige paciência e amor. O abandono ou maus-tratos a cães doentes é crime e uma crueldade, pois o animal precisa de apoio para lutar pela vida.

A única forma verdadeiramente eficaz de prevenir esse sofrimento é a vacinação. As vacinas polivalentes, conhecidas como V8 ou V10, são o escudo do animal. O esquema começa aos 45 dias de vida, com três doses iniciais aplicadas em intervalos de 21 dias. O cão só é considerado protegido após completar essa terceira dose.

Mesmo após a infância, o reforço anual é obrigatório. Muitos donos esquecem que a imunidade da vacina “vence” com o tempo. Vale lembrar que o vírus pode sobreviver em ambientes contaminados por até seis meses. Por isso, nunca coloque um filhote em um local onde outro cão morreu de Cinomose sem que o pequeno esteja totalmente vacinado.

Em resumo, a Cinomose é uma batalha dura, mas a prevenção é simples e acessível. Manter o cartão de vacina atualizado, evitar passeios com filhotes desprotegidos e buscar ajuda profissional ao primeiro sinal de prostração são os passos que separam um final triste de uma vida longa e saudável ao lado do seu fiel companheiro.

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Instagram: @leoobernar

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