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O bem e o mal

Político, ao contrário do povo, esquece mentiras

Publicado

Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto de Arquivo

Conforme os ensinamentos de Platão, ninguém é mais odiado do que aquele que fala a verdade. Nós, os brasileiros de Norte a Sul, aprendemos com a necessária rapidez essa lição, embora a maioria raramente consiga aplicá-la no dia a dia. Apesar de muitos considerá-la como um privilégio do homem sobre todos os outros animais, a mentira é infinitamente mais fácil de ser dita. Às vezes, até de ser engolida. O problema é que, no Brasil, quem mente dificilmente se lembra das mentiras que profere publicamente.

Aliás, como boa parte dos nossos mentirosos rapidamente esgota seu estoque de verdades, eles estão sempre prontos para jurar. E costumam jurar de olhos bem abertos. Pior é que, com os olhos fechados, muitos acreditam. É a eterna luta do bem contra o mal. No mundo restrito dos pensadores, há uma infinidade de posicionamentos filosóficos relacionados a esse conflito. Trazendo essa clássica e tenebrosa batalha para nossa realidade política, podemos defini-la como uma dualidade ética e existencial.

Enquanto o bem e a verdade se alinham à razão, à virtude e à ordem, o mal e a mentira são frequentemente avaliados como desordem, privação do bem ou mal uso da liberdade. Das várias definições, opto pela afirmação de que o mal não é uma substância, mas a ausência ou corrupção do bem. Seja na religião, na ética, filosofia ou psicologia, o bem e o mal é uma dicotomia muito comum nas relações familiares, sociais e, principalmente, políticas.

Um e outro não são conceitos fixos, mas relativos à cultura e à sociedade em que existem. Apesar dessa relatividade, os fins não podem justificar os meios, ou seja, a norma legal é que o bem sempre prevaleça e o mal deve ser derrotado. Reza a lenda bíblica que os povos e as pessoas dispõem do livre-arbítrio, que é a capacidade humana de tomar decisões e escolher ações por vontade própria, sem determinações prévias. Didaticamente, o termo quer dizer que o cidadão é o único dono de sua conduta, inclusive com discernimento para decidir a respeito das práticas do bem e do mal.

Será que eleitoralmente os mentirosos brasileiros estão prontos para discernir e respeitar os verdadeiros vencedores? Com todo respeito àqueles que buscam nossa utilidade e não nossa lucidez, é claro que não. Como hoje eu acordei igual televisão de pobre, isto é, sem controle, mas ligado desde cedo, não há hipótese de dispensar o valor do trabalho, discordar da razão, acreditar em absurdos adversários, apelar para inverdades em nome do poder e julgar um homem mais pelas suas perguntas do que pelas respostas.

Presidente da República, governador, deputado ou senador surgem em nossas vidas como bênção ou como lição. À direita ou à esquerda, prefiro ser abençoado. Quando apresentadas nas primeiras pessoas do singular e do plural, as lições precisam ser vistas como algo superficial, passageiro ou simplesmente de cunho familiar. Para um país plural como o Brasil, esse tipo de mandatário ou de líder não é o ideal. No meu caso, aprendi que, para crescermos como cidadãos e eleitores, precisamos nos cercar de pessoas mais inteligentes do que nós. É que o farei no dia 4 de outubro. Na verdade, repetirei o que fiz em outubro e novembro de 2022. De todas as coisas seguras, a mais segura é a ausência da dúvida.

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Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, mantém uma Remington como troféu na estante da sala e usa um Notebook para escrever artigos pontuais para Notibras

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