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Silêncio constrangedor

Terras raras e sorriso aberto marcam fim dos atritos entre Lula e Trump

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto Editoria de Imagens/IA

Associada às adjetivações recebidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ampla repercussão sobre o longo encontro de Luiz Inácio com o líder norte-americano parece ter incomodado a direita nacional. O silêncio constrangedor de seus representantes foi muito mais eloquente do que eventuais críticas de viúvas do período de tensão entre as duas lideranças mundiais. Por exemplo, dizer que Trump só sorriu porque Lula acenou com a possibilidade de entrega de nossas terras raras é imaginar que o atual presidente brasileiro não sabe o que faz ou o que diz.

Não convivo com ele, tampouco sou simpático às suas frases de efeito sem efeito algum. No entanto, é impossível negar que, pelo menos em relação aos três ou quatro últimos mandatários, Luiz Inácio nada de braçada nos quesitos inteligência, competência, sabedoria e capacidade de negociação. Não há dúvida de que o magnata estadunidense está de olho grande nas terras rasas do Brasil. Aliás, o mundo inteiro está. Apesar de leigo no assunto, não tenho dúvida de que a distância entre querer e ter é bem maior do que contabilizam os detratores de ficção.

Ainda que o rico solo brasileiro seja de grande valia para países mais avançados tecnologicamente, incluindo os EUA, com certeza o dia em que o tema for realmente colocado à mesa, caso Lula seja o negociador, dificilmente o Brasil deixará de ser o dono da terra. No máximo, sócio dos interessados. Vale lembrar aos que adoram ambientes tencionados que, durante as três horas do encontro, Lula e Trump também trataram de temas como tarifas americanas sobre produtos brasileiros e estratégias de combate ao crime organizado.

Embora tenha passado batido das análises silenciosas do povo que defende o conservadorismo arcaico e desconexo, a clara sintonia demonstrada pelos dois presidentes provou que, mesmo com o acúmulo de tensões verificadas nos últimos meses, a reunião valeu para mostrar a brasileiros, norte-americanos e ao mundo que há muita coisa em jogo nessa retomada de relação. Os salamaleques colocados por Trump à disposição de Luiz Inácio simbolizam mais do que simples estratégia política e comercial.

A meu ver, os gestos de simpatia, os adjetivos, o sorriso largo, o tapete vermelho e a derrubada de protocolos caros ao cerimonial da Casa Branca objetivaram marcar uma virada de página nos ácidos e, às vezes, destemperados desentendimentos e atritos entre os líderes das duas maiores democracias e economias das Américas. Como, além do tom de mistério, o mais relevante do encontro foi o clima de confidencialidade, tudo indica que o que foi dito e negociado deverá ser consolidado em futuro próximo, provavelmente após as eleições de outubro.

Em meio à campanha pela reeleição, Lula deve esperar tudo de Donald Trump, menos uma rasteira pública e em defesa do bolsonarismo. Envolvido com seu próprio futuro político, dificilmente Trump terá tempo de interferir nas eleições brasileiras como acreditam e esperam os bolsonaristas. Portanto, independentemente da ativa intromissão de Davi Alcolumbre (União-AP) no processo de desconstrução do Lula 3, acho cada vez mais complicada a vida dos adversários do petismo. É claro que os votos depositados nas urnas eletrônicas são uma incógnita. Entretanto, como a narrativa é sobre o encontro de Lula com Trump, acabaram-se as dúvidas de que só os Bolsonaro conseguem se entender com o presidente dos EUA.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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