Curta nossa página


A normalização do escárnio

Nunes Marques abre as portas do TSE para quem tentou destruí-lo

Publicado

Autor/Imagem:
@donairene13 - Foto Arquivo Pessoal

O convite do ministro Nunes Marques a Jair Bolsonaro para sua posse no TSE produz um enorme desgaste simbólico para a própria Justiça Eleitoral. Bolsonaro foi condenado por abuso de poder político justamente por atacar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro e disseminar desconfiança sobre as urnas eletrônicas sem apresentar provas. Sua inelegibilidade decorre exatamente de condutas consideradas incompatíveis com a normalidade democrática.

Ademais, Bolsonaro está submetido a prisão domiciliar e sequer poderia sair de sair de casa. Não faz sentido que um condenado em processos relacionados à ruptura institucional participe de uma cerimônia do mesmo tribunal que ele dedicou anos a desacreditar. A imagem transmitiria uma sensação de normalização daquilo que deveria ser tratado com máxima gravidade: ataques às instituições democráticas e ao processo eleitoral. O simbolismo importa, especialmente em cortes superiores.

Ao mesmo tempo, o episódio evidencia como parte do Judiciário brasileiro ainda mantém relações de proximidade política e pessoal que frequentemente confundem os limites entre institucionalidade e afinidade ideológica. A reflexão aqui não é apenas sobre a legalidade do convite, mas sobre sua conveniência ética e institucional, algo que Nunes Marques parece ignorar.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.