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Equipes de garra

Futebol brasileiro pode ser clone do europeu (basta apenas querer…)

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Autor/Imagem:
Antonio Eustáquio Ribeiro - Foto de Arquivo

A imprensa esportiva brasileira sempre se refere aos campeonatos das ligas europeias como modelos a serem seguidos. Fatores como organização financeira, investimento, farplay, preocupação com a base e modelo de negócio são sempre lembrados como exemplos do que dá certo no futebol.

É inegável que há uma distância enorme entre as principais ligas europeias como Premier League da Inglaterra, Primeira Liga de Portugal, La Liga da Espanha, Bundesliga da Alemanha, Série A da Itália e Ligue 1 da França quando comparadas às séries A do campeonato brasileiro. No Brasil ainda prevalece um modelo meio arcaico, familiar, em que o futebol ainda não se vê como um grande negócio, embora o volume de dinheiro envolvido nas negociações de atletas, e o valor recebido com a transmissão dos jogos esteja avançando.

Porém, um aspecto que fica nítido nas ligas européias é a repetição quase cíclica dos mesmos campeões todos os anos. Praticamente há uns dois ou três clubes que se destacam todos os anos e se revezam nas conquistas. Diante disso, sempre foi louvado pelos comentaristas esportivos brasileiros que, apesar de uma organização ainda a melhorar, o campeonato brasileiro, especialmente a Série A, é um dos mais difíceis do mundo, pois apresenta reais possibilidades de um número grande de clubes capazes de serem campeões, não limitando este rol àqueles considerados mais ricos e tradicionais, os chamados grandes. Não por acaso já tivemos clubes menos tradicionais como Bahia, Atlético Paranaense, Sport Recife e Coritiba campeões nacionais.

Na Europa, observando as últimas cinco temporadas, não se verifica uma variação abrangente entre os campeões. Em Portugal, as últimas temporadas foram conquistadas por Sporting, FC Porto e Benfica. Na Inglaterra por Liverpool e Manchester City. Na França por Paris Saint-German e um intruso com um único título, o Lille, e ainda figurando quase sempre na segunda posição o Olympique de Marseille. Na Espanha por Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid. Na Alemanha por Bayern de Munique, secundado por Borussia Dortmund, e na Itália por Napoli, Internazionale e Milan. Já no Brasil, de 2021 até 2025 foram campeões Atlético Mineiro, Flamengo, Botafogo e Palmeiras.

Porém, algo que ocorre regularmente na Europa está tomando forma também no futebol brasileiro: a enorme distância entre qualidade técnica e recursos financeiros dos considerados grandes e dos considerados médios e até pequenos. Embora nos últimos cinco anos observados foram quatro campeões diferentes, se alargarmos o olhar para outras competições como Copa do Brasil, Libertadores e Sul Americana, percebe-se uma concentração de títulos com dois clubes, Flamengo e Palmeiras, sabidamente hoje os mais organizados, detentores dos melhores e mais caros planteis e melhor organizados financeiramente.

A introdução do modelo de negócio SAF no futebol brasileiro que inicialmente pareceu ser a solução para uma profissionalização maior, infelizmente tem se demonstrado bastante falho, não resultando em melhoras significativas dos clubes. Exemplos como Atlético Mineiro, Vasco, Botafogo, RB Bragantino e Cruzeiro exemplificam isto, embora considerando o Cruzeiro, este está apresentando uma boa evolução depois de um período em má situação.

Curiosamente, os dois clubes melhor ranqueados e detentores de inúmeros títulos em disputa nos últimos anos não seguem o modelo SAF, embora o Palmeiras seja presidido por uma executiva do mercado financeiro e mantenha a mesma estrutura diretiva já há muitos anos, o que gera estabilidade, algo fundamental para um bom desempenho.

Os números dos últimos anos têm demonstrado um efeito colateral negativo derivado da maior profissionalização do futebol brasileiro, e o está aproximando do mesmo comportamento que se observa nas principais ligas européias, a concentração de títulos em pouquíssimos clubes, notadamente aqueles que têm melhores condições financeiras. Não por acaso sejam exatamente Palmeiras e Flamengo a ocuparem este lugar. São os que têm os elencos mais caros, resultado de investimentos robustos que os transformaram no que são hoje. É pena que, caminhando lado a lado com uma melhor organização e mais investimentos vamos tornando nosso antigamente quase imprevisível campeonato brasileiro da Série A em um modelo bastante conhecido na Europa, clubes menores e sem o cacife financeiro dos “grandes” se tornarem meros coadjuvantes de um número reduzidíssimo de campeões. Isto empobrece o espetáculo, é minha opinião.

Espera-se que investidores voltem seus olhares para clubes menos tradicionais que, embora não tão conhecidos nacionalmente, mobilizam torcidas imensas e ativam a paixão de milhões de torcedores, para que nosso futebol não perca seu maior valor, a competitividade. HÁ times principalmente no Nordeste e Norte do Brasil que têm este potencial. Basta ver a mobilização que Sport Recife, Náutico, Ceará, Bahia, Vitória, Remo e Paysandu conseguem.

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Antonio Eustáquio é correspondente de Notibras na Europa

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