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Vida interior

O peso secreto das almas felizes

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Autor/Imagem:
Thalita Delgado - Francisco Filippino

Quantas férias são necessárias para descansar a alma?! Não de morte, não a alma que não volta mais — se volta, por favor, não venha me perturbar, os vivos já estão sabiamente cumprindo esse papel — é esse cansaço de espírito, de dor estranha, de coração, de gente, de tudo, de nada… Quanto tempo? Um carnaval? Uma quaresma? Uma Páscoa? E talvez, assim, a gente alivia comendo chocolates.

A pior dor que temos é a de alma, aquela que dói sem nem a gente saber que tá doendo mesmo. Que tá intensa, sofrida, desanimada. Em tempos de dores de alma, de algo, de tudo, ter gente de alma completa pertinho da gente representa tanto. Representa porque aquece, divide com a gente um pedaço inteiro de esperança e de férias.

Queria férias por inteiro, mas de que adiantam as férias se nelas a gente cansa mais que descansa? É nelas que a gente insiste em fazer tudo que temos sede de fazer em todos os tempos, em todos os dias de alma cansada.

Férias, eu queria ter mesmo um pouco de mim, desse monte de vozes na cabeça que insistem em dizer tantas coisas e não dizem nada. Em tempos de dor de alma, até a alma parece cansada, porque até no espelho ela parece que tá mais capenga que brilhosa. E se existisse uma fórmula? Uma coisa mágica que a gente tomasse e transformasse… fico me perguntando quantas almas cansadas estão por aí, passeando em corpos felizes.

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Thalita Delgado (@tha_delgado): Jornalista, publicitária e empresária, que também se expressa como crocheteira e escritora. Apaixonada por música, livros e pequenas sensibilidades do cotidiano, lançou em 2024 seu primeiro livro, “A vida se faz rindo e chorando”, pela Editora Autoria.

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