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Recanto das Emas

PCDF investiga professor de jiu-jítsu por assédio sexual e violência psicológica

Publicado

Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

Uma adolescente de 17 anos denunciou o professor de jiu-jítsu Carlos Umbelino Coelho, de 44 anos, por assédio sexual e violência psicológica no Distrito Federal. O caso foi registrado na 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas), que instaurou inquérito para apurar os crimes de tentativa de assédio sexual, violência psicológica contra a mulher e infrações no âmbito da Lei Maria da Penha.

A jovem conviveu por cerca de um mês com o treinador no Recanto das Emas após o registro do boletim de ocorrência em março. Namorada do filho do professor, a adolescente aceitou o convite para morar com a família dele após o homem prometer apoio emocional e incentivo para a sua carreira no esporte. Os episódios de abuso começaram logo após a mudança de residência.

De acordo com o relato da vítima, o treinador fazia perguntas invasivas sobre sua vida íntima e comentários inapropriados sobre o corpo dela. O investigado questionava com quantos homens a jovem já havia se relacionado, se já havia se envolvido com pessoas mais velhas e afirmava não manter mais relações sexuais com a própria esposa. As investidas geraram profundo desconforto na adolescente, que via o homem como uma figura paterna.

Em um dos episódios mais graves relatados à polícia, a menor foi agarrada pelo professor ao sair do banho vestindo apenas um roupão. O suspeito alegou que a ação se tratava de uma brincadeira baseada no golpe “mata-leão”, técnica comum no jiu-jítsu. Ele só interrompeu o ato físico após a chegada da esposa ao local, desconsiderando os pedidos prévios da jovem para que parasse.

Após a formalização da denúncia na Polícia Civil, a adolescente conseguiu obter uma medida protetiva de urgência contra o treinador. O fornecimento do amparo judicial permitiu que ela deixasse a casa do investigado e retornasse para a residência da mãe. O caso segue sob apuração rigorosa das autoridades competentes do Distrito Federal.

O impacto das agressões psicológicas e do assédio forçou a jovem a abandonar completamente os treinos de jiu-jítsu. Atualmente, a adolescente necessita de acompanhamento psiquiátrico regular para tratar as sequelas emocionais decorrentes do período em que viveu na residência do treinador. A família foca agora na recuperação da saúde mental da jovem.

A mãe da vítima declarou publicamente que ambas foram severamente manipuladas pelo comportamento do professor antes da mudança de casa. Conforme o relato materno, o suspeito demonstrava uma postura falsamente religiosa e de extrema confiança para mascarar suas intenções. Ele costumava realizar orações na residência da família e pregava frequentemente em altares de igrejas locais.

O Conselho Regional de Educação Física informou formalmente que Carlos Umbelino Coelho não possui registro profissional ativo na entidade reguladora. A ausência de inscrição aponta para o exercício irregular da profissão de instrutor esportivo na localidade. O dado reforça as irregularidades que cercam a atuação do investigado no esporte do DF.

O presidente da Câmara de Ética Profissional do Conselho Federal de Educação Física, Patrick Aguiar, confirmou que o caso será devidamente apurado em âmbito interno pela instituição. Aguiar ressaltou que os procedimentos éticos tramitam sob sigilo absoluto. O gestor alertou a população sobre a importância de sempre checar a formação e o registro dos profissionais nos conselhos antes de contratar serviços de atividade física.

Procurado para prestar esclarecimentos sobre as acusações de assédio e violência, Carlos Umbelino Coelho limitou-se a declarar que o processo corre sob segredo de Justiça. O treinador afirmou que não detalhará os fatos neste momento e que se manifestará publicamente apenas após a conclusão oficial das investigações policiais.

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