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Ibaneis solta o verbo

Jogo político fica sujo com ficha limpa para Arruda disputar as eleições

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Autor/Imagem:
Carolina Paiva - Foto de Arquivo

A possível volta de José Roberto Arruda (PSD) ao clube dos “fichas limpas” transformou o debate político brasiliense numa guerra de versões, ironias e conveniências. E foi justamente nesse terreno pantanoso que o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) resolveu entrar de sola. Para ele, mexer na Lei da Ficha Limpa é abrir a porteira para que velhos fantasmas da política brasileira voltem a circular pelos corredores do poder com crachá de respeitabilidade.

Durante entrevista ao programa Vozes da Comunidade, Ibaneis afirmou que a tentativa de flexibilizar a legislação — tema que será analisado pelo STF nos dias 22 e 29 de maio — representa um retrocesso monumental. Em outras palavras: seria transformar a faxina ética prometida ao eleitor em mera maquiagem institucional.

“Foi um erro do Congresso Nacional mexer talvez em uma das maiores conquistas da população brasileira, que foi a Lei da Ficha Limpa”, disparou o emedebista, sem esconder o incômodo com a possibilidade de reabilitação política de figuras atingidas pela legislação.

Ibaneis lembrou que acompanhou de perto os efeitos da norma quando presidiu o Fórum Nacional de Governadores e sustentou que, com todos os defeitos da política nacional, a Ficha Limpa ainda funciona como uma espécie de cerca elétrica moral contra aventureiros e reincidentes da velha República.

Na avaliação dele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertou ao vetar o trecho que previa retroatividade das mudanças. Traduzindo do juridiquês para o português das ruas: impedir que novas regras sejam usadas como detergente institucional para limpar condenações antigas.

“O Supremo tem a oportunidade de manter a validade da Lei da Ficha Limpa, fazendo com que as eleições continuem sendo praticadas de forma limpa”, afirmou.

Ao entrar especificamente no terreno minado de Arruda, Ibaneis abandonou qualquer diplomacia protocolar. Disse que o caso do ex-governador está longe de ser simples e insinuou que há quem tente vender ao eleitor a ideia de que basta uma canetada jurídica para apagar um histórico inteiro de condenações.

“Quem conhece os processos do ex-governador Arruda sabe que ele tem 12 condenações por crimes e por fatos totalmente diversos”, declarou.

Nos bastidores da política brasiliense, a fala foi interpretada como um recado direto ao PSD e aos grupos que sonham com a volta de Arruda ao centro do tabuleiro eleitoral de 2026. Para adversários do ex-governador, flexibilizar a Ficha Limpa seria transformar prontuários políticos em meras folhas recicláveis. Já aliados argumentam que o Brasil vive tempos de revisões jurídicas e reinterpretações constitucionais.

Enquanto isso, o eleitor observa o espetáculo de camarote, tentando entender se a política brasileira quer realmente moralizar o jogo ou apenas trocar a tinta das mesmas velhas peças do tabuleiro.

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Carolina Paiva é Editora do Quadradinho em Foco

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