Curta nossa página


Verdade incomoda

Nietzsche é a realidade da polarização política

Publicado

Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto de Arquivo

Conhecido por seu pensamento provocador, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche construiu uma obra que desafia ideias tradicionais sobre moral, felicidade e propósito. Entre suas reflexões mais marcantes, uma frase resume sua crítica à sociedade: “Os que foram vistos dançando foram considerados loucos por aqueles que não podiam ouvir a música”. Seria algo como perder o poder e assistir um “maldito” governar coletivamente? Provavelmente, sim. Sou um brasileiro que, apesar da idade avançada, ainda não sabe o que quer da vida, mas sabe muito bem o que não quer se tornar.

Por mais dolorida e dolorosa que seja, jamais quero me tornar inimigo da verdade, tampouco dos meus amigos verdadeiros, aqueles que aceitam minhas diferenças e convicções divergentes. Parto do pressuposto popular de que a verdade incomoda e pode ser um tapa na cara, mas a mentira será sempre um tiro nas costas. Por isso, novamente recorrendo a Nietzsche, nunca rejeitei a convivência em sociedade, mas questiono a ideia de que regras universais podem servir igualmente a todos.

Por exemplo, como querem nos impor determinados candidatos, as normas belicosas e os conceitos destemperados e animalescos do presidente dos Estados Unidos nada têm a ver com o Brasil. Talvez com eles. Como qualquer democrata, adiro à tese majoritariamente democrática de que a principal função da moral coletiva é manter a ordem social e não garantir a felicidade individual. Vem daí a máxima do filósofo alemão sobre a desnecessidade de seguirmos padrões sem questionamentos.

Segundo Nietzsche, não questionar significa aceitar tudo que nos empurram goela abaixo. Esse consentimento pode nos levar a uma existência limitada, distante dos próprios desejos e das potencialidades. Voltando à dança dos vitoriosos, simbolicamente o pensador expressou exatamente isso em sua obra Assim Falou Zaratustra, na qual afirma que é preciso “ter caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante”.

Não precisamos de sapiência acima da média para termos a certeza de que regras impostas por cultura, política, religião e convenções sociais podem afastar qualquer indivíduo de uma vida autêntica. No caso do Brasil ser sugestivamente “comandado” pelos EUA republicano tiraria dos brasileiros o que temos de mais precioso: a liberdade, sentimento que representa a vontade de ser responsável por si mesmo. Se eles (os candidatos que adorariam ter o Brasil sob direção norte-americana) são incapazes de enfrentar dificuldades e buscar a superação, por que desejam tanto poder?

Como democrata e adepto da filosofia de que quem tem um porquê enfrenta qualquer como, aceito todas as formas de amor e fazer política. Inaceitável são os padrões que grupos atavicamente diferentes querem impor aos divergentes. São os pregadores da chamada “moral de rebanho”, expressão que, conforme Friedrich Nietzsche, é usada para descrever a tendência de seguir referências e parâmetros coletivos sem reflexão. Em síntese, são os que têm prazer em sufocar a individualidade e, consequentemente, impedir a construção de caminhos próprios.

….

Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, mantém uma velha Remington como troféu na prateleira da sala e usa um Notebook para escrever artigos pontuais para Notibras

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.