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Máscara borrada

Como no futebol, em política não se mexe em time que está ganhando

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Geni do Brasil para milhares de brasileiros apegados ao bolsonarismo insosso, inodoro e insípido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode não ser tão palatável para alguns. Talvez não seja nem para mim. Afinal, guardando sua intensa luta contra as desigualdades e em favor dos pobres, ele representa um projeto econômico instalado no país desde o governo de Fernando Henrique Cardoso. Lá se vão quase 30 anos. Passamos por Lula 1, 2 e 3, Dilma 1 e 2, Temer e Bolsonaro e nada mudou.

Pragmaticamente, a dedução é simples: se não mudou é porque deu e está dando certo. Em outubro, a população brasileira será chamada para referendar o mesmo projeto de política econômica neoliberal. A diferença é que um será regido pelo autoritarismo bolsonarista e o outro pela democracia lulista. Vem daí a briga pelo que é ou não palatável. Luiz Inácio pode ser impalpável, mas não é abstrato, intangível, invisível, muito menos incorpóreo, etéreo, obscuro e mentiroso.

Muito pelo contrário. Lula não foge da responsabilidade, tampouco busca falsear o passado e o presente para apagar com borracha vermelha eventuais falhas pessoais e políticas. Longe de ser um gênio, mas sábio a ponto de se apresentar como um homem e candidato que ainda não sabe de tudo, ele aprendeu a observar com cautela, assimilar com maturidade e a se impor com atitudes. Em outubro, minha propensão é, mais uma vez, escolher entre o sábio que se passa por tolo e o tolo que quer se passar por sábio. Adivinhem em quem votarei!

Como eleitor que sempre se pautou por votar naquele que é melhor para o todo, para o país, não tenho preocupação alguma em fechar com um candidato ao qual os demais candidatos culpam de todos os malfeitos e mazelas da nação. Sou daqueles que acham que, ao contrário do que dizem, não é a ocasião que faz o ladrão. Acompanho a tese irrefutável, irreversível, irrevogável e irretocável do eterno poeta, jornalista e contista carioca Olavo Bilac, o “príncipe dos poetas brasileiros”. Para Bilac, a ocasião faz o roubo, pois o ladrão já nasce pronto.

Portanto, considerando os provérbios “Quem passa a perna no espertalhão vira o novo rei da malandragem” e “Filho de peixe, peixinho é”, prefiro o que se se mostra por inteiro e se assume àquele que opta pela máscara borrada pelas mentiras. As máscaras começaram a cair antes mesmo das eleições de 2022 e permanecem caindo. Um dia todas cairão e o povo perceberá que o lobo nem sempre é vilão e que a ovelhinha nem sempre é a mocinha. Por fim, em uma sociedade em que boa parte é hostil ao semelhante que pensa de forma contrária, as pessoas reais normalmente enfrentam ambientes adversos, desfavoráveis, tóxicos, insalubres e até agressivos.

Como se fossem adoradores de mitos de barro ou de seres extraterrestres, esses preferem os tipos falsos e vendidos em comerciais de sabonete ou de lingerie. A pouco menos de cinco meses da eleição presidencial e convicto de que estou na plenitude da gentileza, quando vejo a máscara de alguém cair pego e devolvo. Por isso, estou à procura do filho que, buscando mostrar nas telas um presidente que só ele conheceu, não consegue mostrar à brasileirada que pensa e que vota sem o fígado que o pai nada fez porque Lula da Silva já havia feito. Então, fique em silêncio cinematográfico, pois, se depender de Lula, ele continuará sem fazer…

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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