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Chico e Francisco

Universo político conspira a favor de quem não conspira contra ninguém

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Apesar da decantada e supostamente alta rejeição ao petismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda é dele a primazia eleitoral. Alcançado pela flecha envenenada do Banco Master, o senador Flávio Bolsonaro não consegue permanecer nas alturas, nem mesmo usando a escada do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, A pretensa transferência de votos parece coisa do passado. Sou leigo no quesito pesquisas eleitorais, mas claramente a rejeição também se estende celeremente ao reduto bolsonarista. No português do Norte e do Nordeste, o mesmo pau que há meses bate em Chico está batendo forte em Francisco.

Resumindo, Lula pode não ganhar a eleição, mas com certeza ele estará na batalha até os 48 minutos do segundo tempo. Ser contra ou a favor! Por ciúme, inveja, amor, ódio, afinidade ou medo, sempre existirá alguém do contra lutando para impedir que o antagônico prossiga. Lembrando de uma célebre frase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em política não há que se contar com quem é a favor e com quem é contra. “O candidato tem de argumentar para transformar quem é contra em voto a favor”.

Não é sobre direita ou esquerda, mas sobre mentiras, impunidade e conspirações. Venha de onde vier, que o vento me traga a certeza de que terei liberdade para continuar expressando, contra ou a favor, minhas opiniões políticas, sociais e econômicas. Parafraseando Malcolm X, não importa quem a diz, mas sou a favor da verdade. Sou a favor da justiça e pouco me importa para quem ou contra quem. Enfim, eu não sou contra e nem a favor, muito pelo contrário.

Embora esconda meu voto em gaveta secreta, veladamente digo que as máscaras estão ficando pelo caminho. Buscando nos escritos do ex-deputado e historiador Joaquim Nabuco, aprendi que há poucos homens em política “que preferem cair de pé por seus princípios a sofismá-los para ficar de pé”. Sem pré-julgamentos, a política deve ser o lugar dos melhores e não o “esconderijo” dos piores. Isso quer dizer que, fora Luiz Inácio e Flávio Bolsonaro, não há mais espaço para nenhum outro aventureiro.

Ronaldo Caiado e Romeu Zema talvez tenham de esperar pelos impactos do próximo El Niño. Independentemente de quem será coroado no dia 4 de outubro, o cenário presidencial parece definitivamente consolidado. Alternativos e provincianos, os dois ex-governadores representam a chamada terceira via, cujo crescimento lembra uma encruzilhada. Só para ilustrar, de acordo com alguns institutos, Lula teria no segundo turno 46,5% dos votos, contra 38,1% de Flávio Bolsonaro. Caiado desponta com 6,5%, Zema, com 3% e o ex-comunista Aldo Rebelo soma 0,6%.

Ou seja, não é nada, não é nada e eles permanecerão como nada. Apesar da incerteza de expressiva parcela dos eleitores, os últimos números mostram que, pela ordem, os três azarões ainda terão de comer muito arroz com pequi e guariroba, tutu com torresmo e jerimum com jabá para sonhar com a principal cadeira da política brasileira. Rejeição à parte, por enquanto tudo indica que o universo conspira solenemente a favor de quem não conspira contra ninguém.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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