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Analogia equestre

No hipódromo e nas urnas, azarão e pangarés não atrapalham o alazão

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto Editoria de Imagens/IA

Embora não tenha expertise alguma sobre corrida de cavalos, oficialmente chamada de turfe, sei que, na vida e na política, o estímulo lembra um páreo, quando os que estão atrás lutam como todas as forças e para alcançar os que estão na frente. Imagino em um hipódromo pelo menos três tipos de cavalo: o alazão, talvez o pule de dez, o azarão, aquele em que poucos acreditam, mas pode ganhar, e os pangarés, os que largam na rabeira, não têm raça definida, são desajeitados e raramente ganham.

Por analogia, na política não é diferente. Na crônica e na análise política, o uso de termos equestres é uma metáfora clássica para descrever o perfil, a força e as chances de vitória de diferentes postulantes ou grupos. O alazão é do tipo cavalo forte e normalmente representa o candidato da situação ou o figurão tradicional. Com grande estrutura partidária, forte apoio financeiro (fundo eleitoral) e bom espaço na televisão, em qualquer eleição esse candidato entra na disputa como o grande favorito.

O alazão pode até não ganhar, mas, na bolsa de apostas, ele é conhecido como pule de dez. Muito na moda em Brasília, particularmente no seio daquela família que não quer morrer na praia, o azarão, ou Dark Horse, é o cavalo pouco conhecido nas apostas, mas que surpreende e, eventualmente, vence. Quem não se lembra de 2018? Na prática, é o candidato que “corre por fora”, capitalizando erros do principal adversário ou explorando pautas capazes de conectá-lo fortemente com seus seguidores.

Nem sempre a “exploração” interna e externa tem os resultados desejados. No caso específico do azarão em questão, quase nada é positivo. Tanto que, sem nenhum grito ou esforço do oponente, os votos do candidato como esse perfil minguam a cada nova pesquisa eleitoral. Ele mantém o apoio dos fanáticos por nuvens negras e carregadas, mas sofre críticas diárias dos eleitores considerados independentes, os quais preferem o céu de brigadeiro.

Mesmo não simpatizando 100% com o alazão, os tais independentes claramente estão migrando para a candidatura que, além da máquina e da habilidade para articulações, tem a seu favor os rompantes verborrágicos e a belicosidade individual e familiar à flor da pele. No fim da fila aparecem os pangarés, termo usado na política para descrever pejorativamente os candidatos sem estrutura e que entram na disputa sem chances reais de vencer.

Muitos deles servem apenas para marcar posição do partido que representam, dividir votos ou, na melhor das hipóteses, negociar tempo de aliança em um eventual segundo turno. No resumo da ópera, a dinâmica eleitoral gira em torno do constante duelo entre o poder do alazão, a capacidade de negociação e ascensão do azarão e a tentativa de sobrevivência política dos pangarés. Na eleição de 2026, há uma tendência diferente dos últimos pleitos presidenciais. Vencendo o alazão, tanto o azarão quanto os pangarés envolvidos ficarão sem mandato e terão de voltar à relva para um complicado recomeço.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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