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Fornalhas do tempo

A alquimia dos solstícios na visão dos magos

Publicado

Autor/Imagem:
Marco Mammoli - Texto e Imagem

Solstícios são como fornalhas sincrônicas do tempo. Para a sua compreensão alquímica é necessário conhecer a arte de ler, sentir e transformar-se junto com os pontos extremos do ciclo solar. É quando a luz do ano atinge um ápice, de abundância ou de recolhimento, e nós, se estivermos atentos, podemos usar esse momento como um forno filosófico para a própria alma. O solstício de verão acontece o dia mais longo (ou a noite mais curta). Plenitude de luz, calor, expansão. No solstício de inverno, acontece a noite mais longa (ou o dia mais curto). Recolhimento, silêncio, germinação invisível.

Para a alquimia espiritual, isso não é apenas um fenômeno astronômico; é um alfabeto simbólico. O Sol é o grande fogo, e o ano é o ciclo de aquecimento, fusão, dissolução e cristalização da matéria sutil que somos. Partindo da visão hermética de que o que está em cima é como o que está embaixo, os solstícios revelam tanto a mudança do Sol no macrocosmo quanto o convite para mudarmos algo em nosso microcosmo, fazendo dessas viradas momentos conscientes para transformar hábitos, crenças, padrões emocionais e propósitos.

O solstício de inverno, ligado à nigredo e à semente, é o momento em que se vive a morte simbólica do que precisa partir enquanto, sob a superfície, a gestação invisível prepara silenciosamente o que virá a nascer. Alquimicamente, o solstício de inverno é o convite para encarar a própria sombra, acolher o vazio fértil do silêncio e plantar intenções sutis sobre quem se deseja tornar quando a luz retornar. É como colocar a matéria bruta no athanor, o forno alquímico e aquecê-la suavemente, dissolver sua rigidez e tornar o coração maleável.

O verão se aproxima da rubedo, quando aquilo que já foi purificado busca sua expressão plena, tornando-se um tempo de expansão criativa no mundo e de colher, parcialmente, o que cresceu desde a escuridão. Alquimicamente, o solstício de verão é o impulso para expressar o que amadureceu, compartilhar a própria luz com generosidade e usar o fogo da consciência para transformar o que ainda está nebuloso. Aqui, aquilo que no inverno foi apenas potencial começa a tomar forma, a intenção vira ação e a intuição vira caminho.

Para o alquimista esse eixo luz–sombra é usado como laboratório pessoal e filosófico. E essa percepção é simples. Entre inverno e verão, vivemos a dança contínua de contração e expansão, do silêncio e expressão e da interioridade e presença no mundo. A alquimia dos solstícios convida a usar esse eixo como prática, no inverno liberamos o que preciso liberar, simplificar, abandonar.
No verão observamos e trabalhamos para o que está pronto para florescer e irradiar, aconteça!
Ambos são necessários. Somente luz, cansa; somente noite, sufoca. O ouro filosófico está no equilíbrio dinâmico. Para aqueles que gostam de rituais alquímicos, não se esqueçam que eles devem ser simples para os solstícios pois, não se trata de cerimônias complicadas, mas de atos conscientes. Aqui a natureza e o cosmos são ao mesmo tempo atores e cenário!

No solstício de inverno é o tempo de purificar escrevendo o que já pode ser deixado para trás, silenciar para ouvir o próprio mundo interior e acender uma vela que lembra que a luz interna permanece mesmo na noite mais longa. E no solstício de verão é o momento de ter coragem para começar o que foi adiado, agradecer pelas conquistas desde o último inverno e se banhar na luz do amanhecer ou entardecer como símbolo da própria potência.

Portanto, alquimia não é o gesto, mas a capacidade de desenvolver a consciência daquele que o atravessa.

A alquimia tradicional buscava o ouro material, mas os alquimistas espirituais falavam de outro ouro, a clareza do ser, a coerência entre o que somos dentro e o que expressamos fora. Nos solstícios, essa busca pode ser resumida dessa forma: No inverno, é o tempo de lapidar a verdade interna, despindo-se do que é excesso. E no verão, é o tempo de lapidar a verdade vivida, agindo em alinhamento com essa essência. Nesse movimento, o ano deixa de ser apenas passagem de tempo e se torna um ciclo iniciático. A cada solstício, uma pequena morte e um pequeno renascimento, aproximando-nos, pouco a pouco, do nosso centro solar.

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Marco Mammoli, Mestre Conselheiro e membro do conselho do Colégio de Magos e Sacerdotisas. Você pode entrar em contato com o Colégio dos Magos e Sacerdotisas através da Bio, Direct e o Whatsapp: 81 997302139.

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