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Estados Unidos e Irã

Paz nasce forte no petróleo e frágil na política

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Autor/Imagem:
Antônio Albuquerque - Foto de Arquivo

O acordo de paz anunciado entre Estados Unidos e Irã representa o movimento diplomático mais relevante no Oriente Médio desde o início da guerra. Mas seu sucesso dependerá menos da assinatura formal e mais da capacidade das partes de transformar uma trégua de conveniência em compromisso duradouro.

O ponto mais concreto é a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, rota vital para o petróleo e o gás. Pelo entendimento, o Irã deverá remover minas e permitir a retomada da navegação, enquanto os Estados Unidos suspenderão o bloqueio naval a portos iranianos. O cessar-fogo foi prorrogado por 60 dias, período em que devem avançar negociações sobre sanções e programa nuclear.

A chance de êxito existe porque os dois lados têm incentivos imediatos. Trump precisa aliviar o preço dos combustíveis e apresentar uma vitória diplomática. Teerã, pressionado pela guerra, pelas sanções e por tensões internas, precisa respirar economicamente. O problema é que essa convergência é tática, não necessariamente estratégica.

O maior risco está no Irã. Setores ultraconservadores já classificam o acordo como capitulação, reclamando da falta de garantias plenas de alívio das sanções, compensações e controle sobre Ormuz. Essa resistência interna pode limitar a margem de manobra do governo iraniano.

Outro ponto sensível é o programa nuclear. O Irã prometeu não buscar armas nucleares e aceitou discutir, sob supervisão internacional, o destino de urânio enriquecido. Mas o acordo ainda deixa questões centrais para depois — exatamente onde pactos anteriores entre Washington e Teerã costumaram naufragar.

Há ainda o fator Israel, que está fora do pacto e pode agir por conta própria, sobretudo no Líbano e contra aliados iranianos. A ONU saudou o acordo, mas pediu contenção regional, sinal de que a paz bilateral não elimina os focos paralelos de guerra.

A perspectiva, portanto, é de sucesso moderado no curto prazo e incerteza alta no médio prazo. Se Ormuz for reaberto, o petróleo fluir e os ataques cessarem, o acordo já terá cumprido sua primeira missão. Mas, para virar paz verdadeira, precisará sobreviver aos radicais iranianos, à pressão israelense, à disputa nuclear e ao calendário político americano.

Por ora, é uma paz possível. Não ainda uma paz confiável.

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