Curta nossa página


Mossoró

Maternidade é acusada de trocar corpos de bebês

Publicado

Autor/Imagem:
Bartô Granja - Foto Divulgação

Duas famílias da cidade de Mossoró, localizada na Região Oeste do Rio Grande do Norte, denunciaram uma grave ocorrência de troca de corpos de bebês na Maternidade Almeida Castro. O incidente, ocorrido na última sexta-feira (12), resultou no sepultamento equivocado de uma recém-nascida prematura, cujo corpo precisou passar por um doloroso processo de exumação após a descoberta do erro. As famílias afetadas alegam que houve uma severa falha de identificação interna por parte da instituição hospitalar e pretendem mover uma ação judicial conjunta.

O trágico caso envolveu dois bebês que faleceram na unidade de saúde no mesmo período. Uma das vítimas era um feto cuja morte aconteceu ainda durante a gestação, enquanto a outra era uma menina recém-nascida prematura que chegou a ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, mas acabou não resistindo. A confusão na liberação das urnas levou uma das famílias a levar o corpo trocado para o cemitério sem perceber a inversão inicial.

A primeira liberação envolveu a família do feto natimorto. O avô materno da criança, o conselheiro tutelar Rodrigo Lopes, relatou que sua filha buscou atendimento após notar a ausência de movimentos do bebê. Ele explicou que, ao se dirigir ao necrotério para fazer o reconhecimento e providenciar o sepultamento, o maqueiro da maternidade apresentou uma urna identificada com o nome de uma menina. Diante da negativa de Rodrigo, que informou que seu neto era um menino, o profissional buscou outra urna.

Segundo o depoimento do avô, o funcionário retornou com uma nova urna contendo um feto envolto em um pano e uma fralda, mas desprovido de qualquer elemento formal de rastreamento. Rodrigo Lopes enfatizou que o corpo não portava nenhuma pulseira ou fita com dados de identificação hospitalar. Como o tamanho do feto parecia compatível com o tempo de gestação de sua filha, os familiares acreditaram na palavra do funcionário, retiraram o corpo e realizaram o enterro.

O erro sistêmico só veio à tona no momento em que o assistente administrativo Emerson Costa, pai da menina prematura nascida no dia 10 de junho, compareceu à maternidade para fazer o reconhecimento da filha. Ao fazer a checagem obrigatória antes da retirada, Emerson percebeu que as informações anexadas à identificação do corpo disponível estavam totalmente incorretas, apontando dados de um recém-nascido do sexo masculino e o nome de outra mãe.

Após o alerta emitido pelo pai e uma série de buscas internas realizadas pela equipe da maternidade, confirmou-se a suspeita de que a recém-nascida já havia sido entregue e sepultada pela família de Rodrigo. Com a constatação oficial do erro, foi necessária a exumação imediata da menina no cemitério, procedimento que foi acompanhado por representantes da instituição de saúde, de ambas as famílias e da administração do local para a devida correção.

Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira (15), a Associação de Assistência e Proteção à Maternidade e à Infância de Mossoró (Apamim), entidade responsável pela gestão da Maternidade Almeida Castro, rebateu as acusações de falha institucional. A direção afirmou que os protocolos de despedida e identificação interna foram devidamente cumpridos e atribuiu o trágico incidente a um “equívoco no reconhecimento realizado pelo familiar” no instante da liberação.

A Apamim declarou ainda que, assim que tomou conhecimento do fato, agiu com celeridade para regularizar a situação e dar suporte legal para que os sepultamentos corretos fossem realizados pelas respectivas famílias. A instituição ressaltou que atua rigorosamente dentro das diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e informou que detalhes nominais não serão publicados em respeito à legislação de proteção de dados e à privacidade dos envolvidos.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.