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Corrida ao Buriti

Paula aposta no sucesso e põe na vitrine do seu projeto o fim do caos

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Autor/Imagem:
José Seabra - Foto Divulgação

Na política, pesquisas de opinião funcionam como fotografias de um determinado momento. Registram tendências, indicam cenários e ajudam a medir o humor do eleitorado. Mas raramente definem, por si só, o resultado de uma eleição. A história brasileira está repleta de personagens que começaram suas jornadas eleitorais distantes dos favoritos e encontraram na persistência o caminho para a vitória.

É justamente nessa lógica que a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) parece construir sua pré-candidatura ao Palácio do Buriti. Embora respeite os levantamentos eleitorais divulgados até aqui, a parlamentar não demonstra disposição para abrir mão do projeto de disputar o Governo do Distrito Federal em 2026. Ao contrário, ela tem ampliado agendas nas cidades, intensificado o diálogo com segmentos organizados da sociedade e trabalhado na construção de alianças políticas que possam sustentar uma candidatura competitiva.

A audiência pública que acaba de ser realizada na Serrinha do Paranoá, foi mais um capítulo dessa estratégia. Reunindo mais de uma centena de moradores, lideranças comunitárias, profissionais de saúde e representantes de associações locais, o encontro serviu não apenas para discutir problemas históricos da região, mas também para reforçar uma marca política que Paula busca consolidar: a defesa simultânea da preservação ambiental, da regularização fundiária e da inclusão social.

Reconhecida como um dos principais berços hídricos do Distrito Federal, a Serrinha do Paranoá tornou-se símbolo de uma discussão que ultrapassa os limites da região. Ao abrir a audiência, Paula lembrou que a importância da área ganhou visibilidade após o governo local utilizá-la como garantia em operações relacionadas ao BRB.

“Eu já vim algumas vezes aqui, mas não sabia o número de nascentes que existiam. Só fui descobrir quando o GDF colocou este lugar como garantia para salvar o BRB. Foi aí que a comunidade e Brasília inteira viram o tamanho da Serrinha”, afirmou.

A fala remeteu à experiência da parlamentar na presidência da CPI do Rio Melchior, iniciativa que projetou nacionalmente o debate sobre a preservação dos recursos hídricos do DF. Segundo ela, a mesma consciência ambiental que começou a surgir em relação ao Melchior agora se repete na Serrinha.

Mas a audiência também revelou outra realidade. Por trás da riqueza ambiental existe uma população que convive com problemas históricos de regularização fundiária, infraestrutura precária, deficiência no transporte público e carência de equipamentos de saúde e educação.

Ana Bezerra, coordenadora do grupo de meliponicultores da Serrinha, resumiu uma das principais reivindicações dos moradores ao afirmar que a regularização representa, acima de tudo, dignidade para famílias que aguardam há décadas por uma solução definitiva.

Já Jair Gonçalves, vice-presidente da Associação de Chacareiros do Córrego Jerivá, alertou para um temor recorrente: que a regularização acabe expulsando justamente aqueles que ajudaram a preservar a região ao longo dos anos.

As preocupações se repetiram em outras intervenções. Solange Sato, da Associação do Núcleo Rural do Córrego do Urubu, destacou a singularidade da Serrinha, onde áreas rurais convivem com um zoneamento urbano que, segundo moradores, nem sempre contempla a realidade local.

Na saúde, a gerente da UBS do Lago Norte, Maria Inês Guedes, chamou atenção para a dimensão territorial atendida por uma única unidade básica. Na educação, a diretora Juliana Cândida relatou a rotina de estudantes que percorrem até 80 quilômetros por dia para frequentar a escola. Na mobilidade, moradores voltaram a cobrar obras prometidas há décadas.

Ao final do encontro, Paula Belmonte reforçou a defesa de uma regularização fundiária capaz de conciliar desenvolvimento e preservação ambiental. “Nosso compromisso é preservar, mas também desenvolver. A gente precisa habitar essa terra com planejamento”, declarou.

Politicamente, a agenda reforça um posicionamento que a deputada vem adotando desde que assumiu publicamente a condição de pré-candidata ao Governo do Distrito Federal. Enquanto articula apoios e trabalha para consolidar um palanque nacional alinhado ao ex-governador mineiro Aécio Neves, apontado por aliados como possível candidato à Presidência da República, Paula procura ocupar espaços pouco explorados por outros concorrentes, aproximando-se de comunidades que frequentemente se sentem esquecidas pelo poder público.

Ainda é cedo para afirmar quais candidaturas chegarão fortalecidas à reta final da disputa de 2026. O cenário permanece aberto e sujeito a mudanças. Entretanto, a movimentação da deputada tucana revela uma característica que costuma ser decisiva em campanhas eleitorais. É precisamente a capacidade de permanecer em campo quando muitos preferem aguardar os ventos das pesquisas.

Na política, perseverança não garante vitória. Mas a história mostra que, em muitos casos, ela é o primeiro requisito para alcançá-la. Feita essa leitura, o entendimento é o de que Paula Belmonte garante que está pronta para “arrumar a casa”.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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